
Assomada, 27 Set (Inforpress) – O Grupo Psicoterapêutico de Alcoolismo da Delegacia de Saúde de Santa Catarina, criado em 2001, celebra mais de duas décadas de actuação com resultados positivos no apoio à recuperação e prevenção do uso abusivo de álcool.
Em declarações à Inforpress, a psicóloga clínica responsável, Maria Nascimento Semedo, avançou que o grupo tem desempenhado um “papel fundamental” na reabilitação de dependentes e no suporte às suas famílias, consolidando-se como um “importante pilar de apoio no combate à dependência e na promoção da saúde mental” no concelho de Santa Catarina, na ilha de Santiago.
Segundo a psicóloga, o grupo psicoterapêutico foi criado como uma extensão do acompanhamento individual já oferecido pela Delegacia de Saúde, no sentido de proporcionar um espaço colectivo para pacientes que já haviam superado as etapas iniciais do tratamento e estavam em processo de recuperação, mas o grupo foi ganhando consistência e se tornou um “recurso fundamental” no cuidado contínuo dos pacientes.
As sessões, que acontecem mensalmente, foram ajustadas para atender às características geográficas e sociais de Santa Catarina, um concelho com localidades dispersas e com limitada capacidade de deslocação dos pacientes.
Segundo a mesma fonte, a frequência mensal permite a participação de um maior número de participantes, que variam entre 10 a 15 pessoas por encontro.
No entanto, Maria Semedo sublinhou que o grupo é aberto, permitindo entradas e saídas de acordo com a evolução de cada indivíduo.
“Hoje temos um grupo heterogêneo, com homens e mulheres em diferentes estágios de recuperação. Esse formato permite que os participantes compartilhem suas experiências e dificuldades, criando um ambiente de apoio mútuo e aprendizagem colectiva”, explicou a psicóloga, destacando que as actividades do grupo vão além das sessões de psicoterapia.
O grupo também promove actividades de lazer e visitas a outras instituições de saúde e comunidades terapêuticas, como o Hospital da Trindade e a Comunidade Terapêutica Granja de São Felipe, com o objectivo de fomentar o intercâmbio de experiências e ampliar o entendimento sobre as consequências do alcoolismo e a importância do tratamento.
Essas visitas permitem que os pacientes interajam com outros grupos e percebam que a luta contra a dependência não é uma batalha isolada.
Igualmente, desenvolvem actividades educativas e de conscientização sobre temas relacionados ao uso de álcool, como sua ligação com outras doenças (HIV, tuberculose) e saúde mental, para fortalecer a compreensão dos pacientes sobre os riscos e impactos do consumo excessivo de álcool.
A psicóloga ressaltou que o tratamento do alcoolismo é um processo complexo que exige motivação pessoal e persistência, levando com que a equipa multidisciplinar enfrente alguns desafios, como a oscilação de comprometimento dos pacientes e a dificuldade do envolvimento familiar.
No que tange às famílias, explicou que o trabalho com elas é considerado um “pilar fundamental”, na medida em que a dependência alcoólica não afecta apenas o indivíduo, mas todo o núcleo familiar.
Por isso, a equipa procura engajar os familiares, orientá-los sobre o impacto do álcool e capacitá-los para que saibam como apoiar os seus entes queridos em momentos de crise e recaída.
A médica ressaltou ainda a importância de se adaptar o tratamento às necessidades de cada paciente, em que para casos considerados menos graves, são realizadas sessões ambulatórias que visam prevenir o agravamento do quadro e promover a participação no grupo psicoterapêutico.
Já para pacientes com dependência estabelecida, a orientação é o internamento em uma comunidade terapêutica, desde que haja motivação pessoal.
“O critério para o internamento é a decisão que deve partir do próprio paciente. Não internamos ninguém apenas por pressão de familiares, pois o comprometimento pessoal é essencial para o sucesso do tratamento. Quando há essa motivação, conseguimos encaminhar o processo de forma rápida e eficiente, sempre com boa resposta da comunidade terapêutica”, afirmou a psicóloga.
A psicóloga clínica concluiu com um apelo à comunidade para que procure apoio e informação quando enfrentar problemas relacionados ao consumo de álcool.
“Sabemos que o alcoolismo é uma condição complexa que demanda atenção contínua e o serviço de psicologia na delegacia atende todos os dias, e desde a chegada, o paciente é acolhido e passa por uma avaliação inicial, para que possamos determinar o tipo de acompanhamento necessário”, afirmou Maria Nascimento Semedo.
Aproveitou também para reforçar a abertura do grupo para todos que precisarem de apoio e convidou a comunidade a procurar ajuda sempre que necessário.
“A recuperação é possível, e estamos aqui para ajudar cada pessoa a encontrar o melhor caminho para superar a dependência e retomar a sua saúde e qualidade de vida”, encorajou.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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