
Cidade da Praia, 21 Mar (Inforpress) – A directora do Jornal Artiletra, Larissa Rodrigues, destacou, na Praia, o papel pioneiro e determinante do periódico na promoção da literatura e cultura cabo-verdianas, ao longo de 35 anos, enquanto primeiro jornal cultural nacional.
Criado em 15 de Abril de 1991, o Artiletra surgiu como uma iniciativa “inovadora” num contexto em que não existiam publicações exclusivamente dedicadas à cultura.
Desde então, tem-se afirmado como um espaço de divulgação de obras literárias e de reflexão, acolhendo escritores, poetas, pensadores e também novos talentos.
Segundo Larissa Rodrigues, o jornal sempre procurou apoiar “as pessoas que colaboram com o pensar de um povo”, defendendo que a literatura constitui um instrumento “essencial” para o desenvolvimento do país, ao promover tanto o pensamento individual como o colectivo.
“Precisamos apoiar as pessoas que colaboram com o pensar de um povo, porque é assim que o país se desenvolve”, afirmou.
Aquela responsável fez um balanço “muito positivo” do percurso do Artiletra, embora ressalve que essa avaliação deve ser também feita pelos leitores e pela sociedade.
Realçou, por outro lado, o papel inclusivo do jornal, que ao longo dos anos abriu espaço não só a autores consagrados, mas também a jovens e crianças, através de conteúdos como banda desenhada e histórias ilustradas, utilizadas inclusive como material didáctico nas escolas.
Neste sentido, sublinhou a importância da promoção de valores e do reforço do panorama literário nacional no contexto educativo, considerando que o jornal tem contribuído para a formação de futuras gerações e servido como instrumento de apoio para professores.
Relativamente à era digital, Larissa Rodrigues afirmou que o Artiletra continua a privilegiar o formato em papel, por considerá-lo “mais saudável e mais fidedigno”.
Ainda assim, revelou que está em curso um projecto que visa disponibilizar o acervo de 35 anos também em formato digital, permitindo aos leitores aceder aos conteúdos através de novas plataformas. A implementação desta iniciativa está prevista para ainda este ano.
Quanto aos desafios, apontou as dificuldades financeiras como principal entrave à continuidade de um jornal cultural, explicando que o reduzido mercado nacional, com cerca de 500 mil habitantes dispersos pelas ilhas e na diáspora, condiciona a sustentabilidade do projecto.
Apesar disso, defendeu a importância de manter as formas tradicionais de publicação, mesmo num contexto de crescente digitalização.
A directora destacou igualmente o contributo do Artiletra no domínio da investigação e do jornalismo cultural, referindo que o jornal tem desenvolvido, ao longo dos anos, um trabalho de pesquisa aprofundado sobre diversas figuras e temas da cultura cabo-verdiana.
Entre os exemplos, apontou os estudos sobre Eugénio Tavares, que ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a sua biografia e legado, bem como investigações sobre o Seminário-Liceu de São Nicolau e personalidades como Baltasar Lopes da Silva.
“Algumas investigações levam anos”, afirmou, exemplificando com o trabalho ainda em curso sobre o funaná e a figura de Katchás, iniciado em 1995 e que poderá ser publicado no âmbito das comemorações dos 35 anos.
Para assinalar a efeméride, está prevista a realização de um acto comemorativo no dia 15 de Abril, na Assembleia Nacional, que marcará o início de um conjunto de actividades ao longo do ano. Entre estas, incluem-se a publicação de novos números do jornal, edições temáticas e o lançamento de livros, com destaque para obras de poesia de autores ligados ao projecto, como Mário Fonseca.
TC/ZS
Inforpress/Fim
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