Espargos, 25 Mar (Inforpress) - A líder da bancada do PAICV no Sal acusou hoje o Governo e a autarquia tratarem a temática do saneamento na ilha de forma “arcaica, obsoleta e irresponsável”, alertando para os riscos.
Estregilda Oliveira convocou a imprensa para falar da situação do lixo na ilha e para se defender, como disse, de alegadas acusações do vereador do Saneamento da autarquia, de que os incêndios na lixeira municipal têm “motivação política”.
A mesma fonte sublinhou que a situação do saneamento no Sal tem vindo a fazer parte da ordem do dia nas sessões ordinárias da assembleia municipal há vários anos e a bancada do PAICV “tem vindo a chamar atenção em vários domínios nesta matéria”.
Prova disso, conforme a mesma fonte, são as "diversas vezes" que o assunto foi levado às sessões da assembleia municipal, as visitas às lixeiras, à Baía de Parda, devido à apanha de areia, à empresa de limpeza e saneamento (Salimpa) e várias outras iniciativas.
Sublinhou que o posicionamento da bancada do PAICV, foi "sempre de alerta" para a questão ambiental e os riscos que a ilha corre devido à actividade turística”, frisou.
Para a líder da bancada do PAICV no Sal, a questão ambiental “não se esgota na recolha e tratamento dos resíduos sólidos” e que, devido à dimensão do problema, este assunto tem sido sempre abordado, mas que por causa da “falta de visão e de vontade política dos dirigentes” tem sido tratado de forma “arcaica, obsoleta e irresponsável”.
“É inadmissível, com os conhecimentos que temos hoje sobre a matéria e sobre os impactos que uma má gestão do ambiente traz, ainda admitirmos as soluções que temos hoje na ilha, tanto a nível de recolha como da solução para substituir o tratamento destes resíduos”, advertiu.
Para a mesma fonte, com a dimensão que a ilha tem, com o nível de produção de resíduos provenientes da actividade turística, está a “impactar negativamente” o solo através da contaminação do lençol freático, bem como da poluição com gases tóxicos quando os resíduos são depositados e não tratados.
Alertou ainda que a queima do lixo como tem sido feita “configura-se crime” e que, para que o lixo não seja um problema para a sociedade, disse que é necessário realizar o tratamento correto, “através da reciclagem, compostagem, aterro sanitário ou incineração”, mas controlada e de acordo com a lei.
Estregilda Oliveira questionou ainda se “não há lei nesta terra” e se “não há entidades nesta matéria que possam fiscalizar”.
Este assunto, continuou, tem que ser tratado “de forma séria e responsável”, e com “soluções adequadas” e de acordo com a lei e “não pode ser politizada”.
“Escusam-se das responsabilidades, como assistimos o vereador da área a declarar na comunicação social dizendo que a queima na actual lixeira não é feita pela câmara municipal e que tem motivações políticas”, reprovou.
“Perguntamos ao senhor vereador se a inexistência de um plano para mitigar a situação, a falta de soluções adequadas e que preservem o meio ambiente também tem motivações políticas”, questionou a responsável.
Estregilda Oliveira concluiu que a ilha do Sal “retrocedeu nesta matéria”, lembrando que já teve soluções “mais adequadas” e já houve um projeto de uma central de compostagem, bem como se falou na separação do lixo.
“O PAICV mantém-se disponível para apoiar na criação de condições para que esta questão seja ultrapassada, tudo depende da vontade do executivo”, concluiu.
NA/AA
Inforpress/Fim
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