
Ribeira Grande, 04 (Inforpress) - A presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Zaida Freitas, alertou hoje, na Ribeira Grande, para o aumento das denúncias de crimes sexuais contra crianças e adolescentes no concelho, defendendo maior mobilização social.
Aquela responsável fez estas declarações durante o acto central do Dia Nacional Contra o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e do Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão, realizado na cidade da Ribeira Grande, Santo Antão.
Na ocasião, Zaida Freitas afirmou que a comemoração da data constitui uma oportunidade para sensibilizar a população para a realidade das crianças vítimas de agressões, abusos e outras formas de violência, bem como reforçar a importância da prevenção, da denúncia e da protecção dos direitos da criança.
Segundo dados avançados pela presidente do ICCA, em 2025 os serviços da instituição receberam 2.727 denúncias relacionadas com violações dos direitos de crianças e adolescentes, das quais 144 estavam directamente ligadas a crimes sexuais envolvendo vítimas entre os dois e os 17 anos de idade.
“Comparativamente a 2024, quando foram registados 184 casos, verificou-se uma redução de cerca de 40 denúncias a nível nacional”, disse.
Ainda assim, Zaida Freitas considerou que os números devem continuar a merecer “atenção e análise cuidadosa”, salientando que a maioria das vítimas são raparigas com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos.
No que se refere ao concelho da Ribeira Grande, aquela responsável revelou que foram registadas 11 denúncias de crimes sexuais em 2025, o que representa um aumento de oito casos em relação ao ano anterior.
Contudo, indicou que, até ao momento, não foi registada qualquer denúncia durante o ano de 2026 no município.
Zaida Freitas sublinhou que o abuso sexual infantil continua a ser uma das mais graves violações dos direitos humanos e um problema de saúde pública, devido às consequências psicológicas, emocionais e sociais que provocam nas vítimas, nas famílias e na sociedade.
A presidente do ICCA salientou ainda que Cabo Verde dispõe actualmente de um quadro legal favorável à protecção da infância, reforçado pela recente aprovação do novo Estatuto da Criança e do Adolescente, instrumento que visa garantir, promover e restituir os direitos das crianças e adolescentes.
A presidente do ICCA concluiu apelando ao reforço da cooperação entre instituições públicas, organizações da sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos, considerando que a protecção das crianças exige uma resposta colectiva e permanente.
“Uma sociedade que protege as suas crianças é uma sociedade que protege o seu futuro”, afirmou.
Durante a cerimónia, o representante das crianças e adolescentes, José Graça, considerou que os 192 casos de violência sexual denunciados em Santo Antão nos últimos sete anos, dos quais 55 ocorreram no município da Ribeira Grande, constituem um “sinal de alerta” para toda a sociedade.
O jovem defendeu um maior envolvimento das famílias, escolas, instituições e comunidades na prevenção e combate ao fenómeno, apelando à quebra do silêncio em torno destes crimes.
“Vergonha não é denunciar, omissão é crime”, afirmou.
LFS/ZS
Inforpress/Fim
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