REPORTAGEM: Instituto Confúcio aproxima Cabo Verde da China através da língua e da cultura há dez anos

Inicio | Cooperação
REPORTAGEM: Instituto Confúcio aproxima Cabo Verde da China através da língua e da cultura há dez anos
06/08/26 - 01:56 am

***Por Cintia Garcia, da Agência Inforpress***

Cidade da Praia, 06 Ago (Inforpress) – O Instituto Confúcio da Uni-CV, com uma década de existência, promove o ensino da língua e cultura chinesas em Cabo Verde, já formou cerca de 11 mil estudantes e fortalece o intercâmbio entre os dois países.

Há mais de 2.500 anos, um filósofo chamado Confúcio, chinês, defendia que a educação era o caminho mais seguro para transformar indivíduos e sociedades. 

As suas ideias sobre ética, respeito, aprendizagem contínua e valorização do conhecimento atravessaram séculos e continuam a influenciar milhões de pessoas em diferentes partes do mundo.

Em Cabo Verde, o Instituto Confúcio, instalado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), conta com uma década marcada pela expansão do ensino do mandarim, pelo reforço dos laços culturais entre os dois países e pela abertura de novas oportunidades académicas e profissionais para centenas de jovens cabo-verdianos. 

Criado com o propósito de promover a língua e a cultura chinesas no país, o Instituto Confúcio passou de uma estrutura com cerca de 400 alunos em 2016 para 1.235 estudantes em 2026, acumulando mais de 11 mil alunos que estudaram o mandarim segundo a diretora nacional da instituição, Ermelinda Tavares.

“Eu faço um balanço positivo do instituto nestes 10 anos da sua existência, crescemos muito”, reforçou a mesma fonte.

Ao longo destes dez anos, aprender mandarim deixou de ser uma curiosidade reservada a um pequeno grupo de estudantes para se tornar uma possibilidade concreta em escolas secundárias, na universidade e através de programas de intercâmbio que levam estudantes cabo-verdianos até à China.

A responsável considerou que o crescimento do Instituto Confúcio demonstra o aumento do interesse dos cabo-verdianos pela língua chinesa, destacando também a expansão do corpo docente e das escolas onde o mandarim passou a ser ensinado.

Quando iniciou as atividades, a instituição contava com três professoras chinesas voluntárias e uma professora pública cabo-verdiana. 

Atualmente, dispõe de 15 professores chineses, entre voluntários e docentes públicos, além de professores cabo-verdianos.

A expansão do ensino do mandarim também alcançou o sistema educativo nacional. 

Após um protocolo assinado com o Ministério da Educação, em 2017, o Instituto Confúcio passou a disponibilizar aulas em escolas secundárias, contando atualmente com turmas na Praia, São Domingos, Assomada e Santa Cruz.

Embora o ensino do mandarim seja a sua principal missão, a instituição procura proporcionar aos estudantes uma experiência “muito para além da sala de aula”.

Todos os anos são organizados concursos, semanas culturais, programas de Verão, exames internacionais de proficiência linguística e intercâmbios académicos.

Um dos exemplos mais conhecidos é o concurso Ponte Chinesa, considerado a maior competição internacional de língua chinesa para estudantes estrangeiros.

Os vencedores têm acesso a bolsas e viagens de estudo totalmente financiadas, permitindo-lhes conhecer a China, frequentar universidades e contactar diretamente com a cultura do país asiático.

Segundo Ermelinda Tavares, estas oportunidades têm mudado o percurso de muitos jovens cabo-verdianos.

Além do ensino da língua e cultura chinesas, a instituição aposta na formação superior através da licenciatura em mandarim, que está atualmente na sua segunda edição.

Na primeira edição, quatro estudantes concluíram o curso e dois defenderam o trabalho final. 

Entre os formados, um é atualmente professor de mandarim e outra trabalha na Embaixada da China em Cabo Verde, exemplos das novas oportunidades profissionais criadas pelo ensino da língua chinesa no país.

Um dos exemplos do impacto do Instituto Confúcio é a trajetória de Edson Semedo, antigo estudante da instituição e atualmente professor de mandarim na Escola Secundária Manuel Lopes, na Calabaceira, e que vai ainda este ano fazer o seu mestrado na China.

Edson Semedo iniciou os estudos da língua chinesa em 2018, após concluir o ensino secundário, motivado pelo desejo de estudar na China. 

Através do Instituto Confúcio, teve acesso a oportunidades de intercâmbio e conseguiu participar em programas promovidos pelo Governo chinês.

“O Instituto Confúcio dá muitas oportunidades, desde bolsas para estudar na China, intercâmbios e também a Ponte Chinesa, que permite conhecer a China e descobrir o que o país tem para oferecer”, contou.

Para o professor, aprender mandarim representa uma porta de entrada para conhecer uma nova cultura e criar novas oportunidades académicas e profissionais.

“Não basta apenas estudar nos livros. É preciso conhecer a China, compreender a cultura e conviver com os chineses”, afirmou.

Para a professora chinesa Chen Yu Fei, que vive em Cabo Verde há quatro anos, o trabalho da instituição vai além do ensino da língua, assumindo um papel de aproximação entre os dois povos.

“O Instituto Confúcio não se limita ao ensino da língua. Também organiza atividades culturais, concursos como a Ponte Chinesa, programas de verão e bolsas de estudo, proporcionando aos estudantes experiências diretas com a China”, afirmou.

Segundo a docente, a maior contribuição da instituição é criar pessoas capazes de compreender as duas culturas e fortalecer a relação entre Cabo Verde e China.

“O que realmente aproxima dois países não são apenas o comércio ou os investimentos, mas sim o número crescente de pessoas que se compreendem e confiam umas nas outras”, destacou.

Apesar dos avanços, a diretora nacional do Instituto Confúcio reconhece que ainda existem desafios, sobretudo na adesão dos estudantes.

“A nossa maior dificuldade é ter o número de alunos que desejávamos. Gostaríamos de abrir turmas com 15 ou 20 alunos, mas muitas vezes temos turmas pequenas, principalmente na licenciatura”, explicou Tavares.

Segundo Ermelinda Tavares, outro desafio está relacionado com o facto de o mandarim ainda ser uma disciplina opcional no ensino secundário, o que influencia o compromisso dos estudantes.

Mesmo assim, a instituição continua a apostar na divulgação da língua chinesa através de concursos, bolsas e actividades culturais.

A professora de mandarim Nara Vaz, que acompanha o crescimento do ensino da língua em Cabo Verde, por sua vez, considera que o trabalho desenvolvido pelo Instituto Confúcio representa uma oportunidade que as novas gerações não tinham anteriormente.

“Quando eu estava no ensino secundário não tive oportunidade de aprender mandarim, e hoje os alunos têm essa possibilidade. O Instituto Confúcio está dando aos estudantes uma oportunidade importante”, afirmou.

Para os próximos anos, o Instituto Confúcio pretende continuar a ampliar o ensino da língua chinesa e reforçar os programas de intercâmbio, mantendo o objetivo inicial de aproximar Cabo Verde e China através da educação e da cultura.

CG/AA

Inforpress/Fim

 

Partilhar