Prevenção do suicídio começa na escuta e identificação precoce dos sinais de sofrimento – autoridades

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Prevenção do suicídio começa na escuta e identificação precoce dos sinais de sofrimento – autoridades
11/09/26 - 03:41 pm

Assomada, 11 Set (Inforpress) – Autoridades sanitárias defenderam hoje, em Santa Catarina, o reforço da escuta activa e da identificação precoce dos sinais de sofrimento psicológico como instrumentos essenciais para prevenir o suicídio em Cabo Verde.

A posição foi defendida durante o acto central do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, promovido pelo Ministério da Saúde sob o lema “Mudando a narrativa sobre o suicídio – priorizar a escuta activa”.

A representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), Idite Pereira, sublinhou que a prevenção pode começar com gestos simples, como conversar, ouvir sem julgar, ajudar a procurar apoio profissional e manter o contacto com a pessoa em sofrimento.

Segundo a responsável, a abordagem do suicídio esteve durante muito tempo marcada pelo silêncio, preconceito e estigma, pelo que defendeu uma mudança de narrativa, com a substituição do silêncio pela escuta, do julgamento pela empatia e do estigma pela compreensão.

Idite Pereira destacou ainda o papel das famílias, sobretudo no acompanhamento dos adolescentes, e dos órgãos de comunicação social e defendeu uma informação responsável, capaz de combater o estigma e promover mensagens de esperança, recuperação e procura de ajuda.

Por sua vez, o secretário de Estado para a Saúde, Artur da Veiga, considerou que a prevenção exige uma actuação organizada e atenção aos sinais que podem indicar problemas de saúde mental.

O governante salientou que dificuldades económicas e problemas familiares podem desencadear situações com impacto na saúde mental, defendendo que os profissionais devem estar atentos para garantir respostas atempadas.

Artur da Veiga reafirmou o compromisso do Governo em fortalecer as políticas de promoção da saúde mental, melhorar o acesso aos serviços especializados, investir na prevenção e aproximar as respostas das comunidades.

A directora sanitária de Santiago Norte, Ludmila Miranda, defendeu igualmente o reforço da sensibilização das comunidades e da capacitação para reconhecer sinais de sofrimento psicológico e incentivar a procura de ajuda.

A responsável reconheceu, contudo, limitações na cobertura de profissionais de saúde mental na região, onde alguns municípios contam com deslocações mensais de psicólogos ou psiquiatras e outros com acompanhamento trimestral.

Apesar dessas limitações, garantiu que os serviços de saúde estão disponíveis para as pessoas que necessitam de acompanhamento psicológico e que estão a ser feitos esforços para reforçar a cobertura.

Durante o acto, a representante da OMS destacou que Cabo Verde dispõe da Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio “Viver a Vida”, e defendeu uma avaliação da sua implementação, dois a três anos após a sua elaboração.

O momento inclui ainda a reactivação da Linha SOS Suicídio, numa parceria entre o Ministério da Saúde, a associação A Ponte e a CVTelecom, destinada a reforçar os mecanismos de apoio às pessoas em situação de sofrimento psicológico.

O programa incluiu ainda a conferência “Prevenção do Suicídio – desafios e caminhos para Cabo Verde”, sessões temáticas sobre adolescência, mulher, homem e pessoa idosa e uma conversa aberta com a comunidade.

DV/HF

Inforpress/Fim

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