Prefeito brasileiro traz a Cabo Verde projecto que reduz resíduos enviados para aterro sanitário

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Prefeito brasileiro traz a Cabo Verde projecto que reduz resíduos enviados para aterro sanitário
25/06/26 - 04:27 pm

Cidade da Praia, 25 Jun (Inforpress) - O prefeito de Lagoa de Velhos (Brasil), José Nildo Galdino, encontra-se pela primeira vez em Cabo Verde para participar no Fórum Brasil-Cabo Verde e partilhar uma experiência de gestão de resíduos sólidos desenvolvida no seu município.

A iniciativa integra-se no programa “Lagoa de Velhos Sustentável”, que o prefeito [presidente de câmara] José Nildo Galdino pretende dar a conhecer no âmbito do Fórum Brasil-Cabo Verde, inserido na terceira Missão Cabo Verde Teleport.

O projecto assenta em três eixos principais: saneamento básico, energias renováveis e lixo zero, sendo este último o tema que o autarca pretende partilhar com entidades públicas, empresários e demais participantes do fórum.

Segundo José Nildo Galdino, em declarações à Inforpress, o modelo de gestão de resíduos funciona através de uma associação comunitária denominada “Mãos que Reciclam”, responsável pela recolha e valorização dos materiais recicláveis, recorrendo a uma moeda social denominada “Fabião”, em homenagem a Fabião das Queimadas, figura histórica da cultura do Rio Grande do Norte.

As famílias separam plástico, papel, vidro e metal nas suas residências e entregam os materiais à associação, que procede à sua aquisição através da moeda social.

De posse dessa moeda, os beneficiários podem adquirir produtos fabricados pela própria associação, permitindo que os recursos circulem dentro da comunidade.

“O dinheiro volta para a mão da associação. De posse desse dinheiro, a associação vai comprar mais resíduos. Então fica a moeda circulando”, relatou.

O sistema inclui igualmente a recolha de resíduos orgânicos para compostagem e de rejeitos para encaminhamento adequado, ficando a associação responsável pela recolha efectuada no município.

Segundo o autarca brasileiro, os resultados alcançados permitiram reduzir a quantidade de resíduos enviados para aterro sanitário.

“A quantidade que foi enviada para o aterro nos três primeiros meses deste ano estava em 36 toneladas. Ela caiu para 24 toneladas, em média”, indicou.

José Nildo Galdino contou que a ideia surgiu após visitas a aterros sanitários, quando observou as dificuldades enfrentadas por famílias que separavam materiais já misturados.

A partir dessa constatação, o município distribuiu gratuitamente kits compostos por baldes e sacos para permitir a separação dos resíduos nas habitações e facilitar a recolha selectiva.

Questionado sobre a possibilidade de replicar a experiência em Cabo Verde, considerou que o sucesso do modelo depende da conjugação de sensibilização ambiental, incentivos às famílias e enquadramento legal.

O responsável entende ainda que os recursos públicos destinados à deposição de resíduos podem ser canalizados para iniciativas capazes de gerar emprego, rendimento e benefícios ambientais.

Durante a sua estadia em Cabo Verde, José Nildo Galdino espera despertar o interesse de gestores públicos e empresários para o potencial económico dos resíduos recicláveis e da compostagem.

O autarca manifestou ainda o desejo de reforçar os laços de cooperação entre o Brasil e Cabo Verde em matérias ligadas à sustentabilidade e à economia circular.

“A expectativa é de uma parceria futura, que a gente possa estar fazendo uma parceria Brasil-Cabo Verde, Brasil-África”, concluiu.

KF/AA

Inforpress/Fim

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