Praia: Padre Constantina destaca valor do "Toque de Salva" e apela à recuperação da cultura de respeito

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Praia: Padre Constantina destaca valor do "Toque de Salva" e apela à recuperação da cultura de respeito
13/06/26 - 08:23 pm

Cidade da Praia, 13 Jun (Inforpress) – O padre José Constantina Bento destacou hoje o significado cultural e espiritual do tradicional "Toque de Salva", defendendo a recuperação dos valores de respeito e solidariedade que marcaram as festividades de Santo António ao longo das gerações.

Estas declarações foram feitas à Inforpress à margem das celebrações de Santo António, que incluíram o tradicional "Toque de Salva", seguido de uma procissão e missa solene na capela de Achada de Santo António.

Segundo o sacerdote, esta manifestação tradicional representa muito mais do que um simples ritual festivo, constituindo um sinal de respeito profundamente enraizado na cultura cabo-verdiana.

“O Toque de Salva era uma forma de demonstrar respeito. Quando os grupos passavam por um local considerado importante, alteravam o ritmo dos tambores e a forma de marchar para assinalar a importância daquele espaço”, explicou.

A mesma fonte chamou a atenção para o carácter profano que as celebrações de Santo António têm vindo a assumir ao longo dos anos, lembrando que, sendo uma festa religiosa, a sua dimensão espiritual é muito importante.

“Hoje, as festas estão a assumir um carácter mais profano e, muitas vezes, esquece-se que a raiz da festa é religiosa”, acrescentou.

Nesse sentido, revelou ter incentivado a Tabanca de Achada de Santo António a manter esta prática durante as festividades deste ano, considerando que a preservação das tradições passa também pela valorização dos seus significados mais profundos.

O padre Constantina Bento lembrou também que alguns valores se têm vindo a perder ao longo do tempo, como o respeito pelos outros, a forma de cumprimentar e o hábito de pedir a bênção, gestos que outrora fortaleciam a convivência social e a vida comunitária.

Afirmou que ainda existem valores que continuam actuais na sociedade e que, por isso, não devem ser esquecidos pelas novas gerações.

Durante a entrevista, o padre Constantina manifestou preocupação com algumas mudanças sociais que afectam a comunidade, sobretudo a diminuição do sentimento de pertença ao bairro de Achada de Santo António, onde decorrem as festividades.

Segundo explicou, Achada de Santo António recebe diariamente milhares de pessoas para trabalhar ou estudar, mas muitas delas regressam aos seus bairros no final do dia, sem criar uma ligação efectiva à comunidade local.

“O bairro está a transformar-se cada vez mais num centro de trabalho e de serviços. Há muitas pessoas que passam aqui grande parte do dia, mas que não se identificam com a vida comunitária da Achada”, observou.

O sacerdote apontou ainda o envelhecimento da população residente como outro desafio da zona, uma vez que muitos jovens e famílias acabam por procurar habitação noutras áreas da cidade.

Apesar destas transformações, considerou que a festa de Santo António continua a desempenhar um papel importante na dinamização social e cultural do bairro, mobilizando moradores, famílias e visitantes em torno de uma tradição comum.

No final da conversa, o padre deixou uma mensagem especial à juventude, apelando a uma maior valorização dos ensinamentos deixados por Santo António, principalmente a dedicação ao próximo.

“Que os jovens não pensem apenas em si mesmos, mas que cuidem também do outro que está ao seu lado, mesmo que seja outro jovem, e que façam algo pelo próximo de forma gratuita e sincera”, concluiu.

JBR/HF

Inforpress/Fim 

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