
Cidade da Praia, 23 Abr (Inforpress) – A médica pneumologista Ofélia Monteiro alertou hoje para o impacto do uso do giz nas salas de aula, sublinhando que a exposição prolongada e contínua a este material pode provocar irritação nas vias respiratórias dos docentes.
A médica, que lançou este alerta em entrevista à Inforpress, no âmbito da comemoração do Dia do Professor Cabo-verdiano, assinalado hoje, explicou que o giz é composto principalmente por cálcio, sob a forma de carbonato ou sulfato, podendo ainda conter outras substâncias.
Disse, que apesar de não apresentar efeitos agressivos para o organismo, as partículas sólidas libertadas durante o uso podem depositar-se nas mucosas das vias aéreas e actuar como irritantes mecânicos.
“Quando estas partículas se depositam, sobretudo nas vias aéreas superiores, podem provocar tosse, espirros e ressecamento da mucosa”, disse, acrescentando que, em geral, não há evidências de danos significativos no tecido pulmonar quando se trata de giz puro.
No entanto, advertiu que o uso contínuo e a longo prazo, especialmente em pessoas com doenças respiratórias pré-existentes, pode contribuir para o desenvolvimento de rinite, sinusite ou agravamento da asma e outras patologias respiratórias.
A pneumologista sublinhou ainda que os efeitos do giz dependem de vários factores, como a ventilação da sala de aula e a forma como é feita a limpeza do quadro.
A especialista recomendou a utilização de apagadores húmidos e a limpeza das superfícies com pano húmido que ajudam a reduzir a dispersão das partículas no ar.
Ofélia Monteiro referiu também que existem tipos de giz mais densos, que libertam menos poeiras, sendo por isso preferíveis para evitar possíveis alergias devido ao pó que este material liberta.
A especialista destacou que o uso do giz tem vindo a diminuir em algumas escolas, sendo progressivamente substituído por marcadores e meios audiovisuais, tendência que poderá contribuir para reduzir problemas respiratórios associados.
Como recomendação, defendeu a necessidade de analisar a composição do giz importado em Cabo Verde, de forma a garantir maior segurança para os utilizadores.
A especialista deixou uma mensagem de reconhecimento aos professores, pelo trabalho desenvolvido na educação e apelou para cuidarem da sua saúde vocal, através de boa hidratação, alimentação equilibrada e evitando o consumo de álcool e tabaco.
A Inforpress conversou também com alguns professores para saber o impacto do uso do giz para a sua saúde. Alguns que sofrem de rinite e sinusite dizem que o material tem afectado um pouco a sua saúde no dia-a-dia.
Consideram importante que as escolas apostem na substituição de quadros de giz por quadros brancos ou painéis digitais e canetas em vez de giz, de forma a reduzir os impactos do pó inalado que poderá comprometer a saúde dos professores.
Alguns dizem que o mundo está em constante transformação tecnológica, e que o professor também tem que seguir esta evolução, com melhorias de condições de trabalho, apostando em materiais mais modernos.
O giz escolar absorve a humidade da pele, deixando as mãos ressecadas e podendo causar dermatites de contacto, o pó em suspensão pode causar vermelhidão e comichão nos olhos, irritação da garganta causando o aumento do risco de rouquidão crónica.
DG/HF
Inforpress/Fim
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