Performance de Djam Neguin na XIV Semana da República promove reflexão sobre Amílcar Cabral e sustentabilidade

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Performance de Djam Neguin na XIV Semana da República promove reflexão sobre Amílcar Cabral e sustentabilidade
15/01/25 - 07:50 pm

Cidade da Praia, 15 Jan (Inforpress) – A XIV Semana da República acolheu esta tarde a performance artística “Exercícios para Ficcionar Cabral”, do artista, cantor e bailarino Djam Neguin, um espetáculo que parte de uma perspectiva ecológica inspirada no pensamento de Amílcar Cabral.

Trazendo conceitos como reciclagem, regeneração e sustentabilidade, a obra, além de celebrar o centenário de Cabral comemorado no ano passado, conecta-se simbolicamente às celebrações dos 50 anos do 25 de Abril.

Em declarações à imprensa Djam Neguim, avançou que este duplo marco histórico enfatiza a relevância das datas para a contemporaneidade cabo-verdiana, reforçando a importância de reflectir sobre heróis nacionais e o impacto de suas ideias no presente.

O espetáculo une arte e tecnologia para aproximar os jovens da história e das narrativas africanas.

“Não há muita oferta de espetáculos teatrais para as escolas, e é importante mostrar que o aprendizado também ocorre fora das paredes da sala de aula. A arte é uma ferramenta essencial para educar e semear o gosto por temas importantes, como a inteligência artificial e o seu papel na criação das nossas narrativas”, explicou Djam Neguin.

O artista destacou a necessidade de os africanos assumirem o controlo de suas histórias no espaço digital.

“Quem conta a sua própria história garante que a verdade, ou ao menos parte dela, será preservada para o futuro. Precisamos ensinar aos jovens a importância de criar bases de dados e colocar informações na internet, porque é isso que o algoritmo irá buscar e disseminar ", frisou o artista.

A visão ecológica e a luta pela decolonialidade de Amílcar Cabral foram centrais na narrativa do espetáculo.

Segundo Djam Neguin, a obra reflecte sobre o equilíbrio entre o avanço tecnológico e a preservação do planeta, relembrando a importância do cultivo da terra como base da sobrevivência humana.

“Estamos a pensar em tecnologias que nos levam a um mundo virtual, enquanto enfrentamos crises ecológicas graves, como o desmatamento da Amazônia e a extinção de espécies. Precisamos avançar como sociedade, mas sem destruir o planeta”, destacou.

Djam Neguin concluiu a entrevista dizendo que a arte, por si só, não transforma as pessoas, mas aquilo que se faz com ela pode ser um caminho para mudanças significativas.

TC/ZS

Inforpress/Fim

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