
Cidade da Praia, 23 Out (Inforpress) – O Movimento para a Democracia (MpD, oposição) manifestou hoje preocupação com o agravamento do custo de vida no país, acusando o Governo de apresentar medidas “tímidas e inconsequentes” face às dificuldades financeiras que afectam as famílias.
Em conferência de imprensa, o porta-voz da oposição e vice-presidente do MpD afirmou que a população sente os impactos desta crise diariamente “na bomba de combustível, no mercado, nos transportes e no gás”.
De acordo com as declarações apresentadas, o preço do litro de gasolina disparou de 163 para 197 escudos desde o mês de Junho, o do gasóleo subiu de 137 para 190 escudos e o do gás atingiu os dois mil escudos.
Para ilustrar o impacto da inflação, a oposição utilizou o exemplo da classe dos taxistas, apontando que um profissional gasta actualmente cerca de 15 mil escudos adicionais por mês apenas em combustível, o que obrigou a classe a aumentar as tarifas em 50 escudos por viagem.
O comunicado alerta para um “efeito onda”, no qual aumentarão os custos dos transportes e da alimentação, com os produtos de primeira necessidade a chegarem mais caros às prateleiras dos supermercados, bem como da electricidade e da água, com aumentos nas facturas domésticas.
“Com esta subida de preços, quem mais beneficia é o próprio Governo, devido ao aumento na receita dos impostos”, afirmou o MpD, que também criticou a proposta do Orçamento do Estado, alegando que o documento peca pela ausência de medidas concretas para aliviar o sufoco financeiro das famílias.
Perante o que classificam como um Governo “desorientado e sem norte”, os representantes da oposição garantiram que continuarão a exigir a implementação de um plano de contingência e de estabilização de preços.
Afirmando-se como uma “oposição responsável” que apresenta soluções concretas em vez de apenas criticar, o MpD avançou com três propostas financeiras de apoio directo.
Uma delas é o “cheque-combustível” de oito mil escudos por cada táxi e viatura de transporte colectivo urbano.
O partido propõe ainda o financiamento, por parte do Estado, de metade do aumento do preço do gasóleo para a pesca, alargado a todos os profissionais (incluindo a pesca artesanal), e um cheque gás com um subsídio mensal de 500 escudos, destinado às famílias mais vulneráveis para a compra de gás.
A oposição desafiou o Governo a responder publicamente a três questões fundamentais: como assegurar a estabilização do preço do gás nos meses de Novembro e Dezembro, qual o montante exacto arrecadado a mais em impostos desde o mês de Julho, e quando é que os apoios anunciados chegarão aos pescadores?
O partido reafirmou que o seu foco principal serão sempre as famílias cabo-verdianas e apelou ao executivo para que se sente à mesa para, conjuntamente, encontrarem alternativas que evitem o agravamento da pobreza no país.
PC/HF
Inforpress/Fim
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