
Achada Igreja, 23 Out (Inforpress) – O medo, a vergonha e o desconforto de expor uma parte íntima do corpo podem atrasar o diagnóstico do cancro da mama, alertou hoje a médica Heriana Pereira, apelando à procura atempada dos serviços de saúde.
Em declarações à Inforpress, no âmbito do Outubro Rosa, Heriana Pereira explicou que, durante cerca de dois anos de serviço nesta estrutura, foram identificados três casos de cancro da mama, cujas pacientes foram encaminhadas para o Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia, onde funciona o Centro Oncológico, para acompanhamento especializado.
A médica recordou ainda que, em Maio passado, uma paciente do Centro de Saúde, diagnosticada com cancro da mama, faleceu no exterior, um desfecho que dá maior sentido à importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento da doença.
Para Heriana Pereira, um dos maiores desafios consiste em levar as pessoas a cuidar de si próprias, sem permitir que a vergonha ou o medo de um possível diagnóstico as afastem dos serviços de saúde.
“O nosso corpo nunca é confortável ser tocado por outras pessoas”, reconheceu, explicando que uma abordagem cuidadosa dos profissionais ajuda a criar confiança e facilita a realização dos exames necessários.
A médica aconselha mulheres e homens a conhecerem o próprio corpo e a estarem atentos a alterações nas mamas, no tamanho, formato, cor ou aspecto dos mamilos e, perante qualquer sinal suspeito, recomenda a procura imediata do Centro de Saúde para avaliação e eventual encaminhamento para exames complementares.
Segundo Heriana Pereira, embora seja mais frequente nas mulheres, o cancro da mama também pode atingir os homens pelo que a detecção precoce aumenta as possibilidades de tratamento e o medo não deve impedir ninguém de procurar ajuda.
Por isso, as palestras, feiras de saúde e acções comunitárias promovidas pela estrutura decorrem durante todo o ano.
A médica destacou, igualmente a importância dos cuidados paliativos, defendendo que o acompanhamento deve abranger não só o doente, mas também os familiares, muitas vezes sobrecarregados pela responsabilidade de cuidar.
“Quem está a cuidar também precisa de cuidado”, sublinhou, apelando à partilha das responsabilidades entre familiares e à participação da comunidade, incluindo vizinhos, para apoiar os cuidadores e melhorar a qualidade de vida dos doentes.
Neste Outubro Rosa, a mensagem da médica é clara, “ouvir o próprio corpo, vencer o silêncio e procurar ajuda sem vergonha pode fazer a diferença” e perante a doença, ninguém deveria ter de enfrentar tudo sozinho.
MC/HF
Inforpress/Fim
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