São Salvador do Mundo: Medo e vergonha atrasam diagnóstico do cancro da mama, alerta médica (c/áudio)

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São Salvador do Mundo: Medo e vergonha atrasam diagnóstico do cancro da mama, alerta médica (c/áudio)
23/10/26 - 02:36 pm

Achada Igreja, 23 Out (Inforpress) – O medo, a vergonha e o desconforto de expor uma parte íntima do corpo podem atrasar o diagnóstico do cancro da mama, alertou hoje a médica Heriana Pereira, apelando à procura atempada dos serviços de saúde.

Em declarações à Inforpress, no âmbito do Outubro Rosa, Heriana Pereira explicou que, durante cerca de dois anos de serviço nesta estrutura, foram identificados três casos de cancro da mama, cujas pacientes foram encaminhadas para o Hospital Universitário Agostinho Neto, na cidade da Praia, onde funciona o Centro Oncológico, para acompanhamento especializado.

A médica recordou ainda que, em Maio passado, uma paciente do Centro de Saúde, diagnosticada com cancro da mama, faleceu no exterior, um desfecho que dá maior sentido à importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento da doença.

Para Heriana Pereira, um dos maiores desafios consiste em levar as pessoas a cuidar de si próprias, sem permitir que a vergonha ou o medo de um possível diagnóstico as afastem dos serviços de saúde.

“O nosso corpo nunca é confortável ser tocado por outras pessoas”, reconheceu, explicando que uma abordagem cuidadosa dos profissionais ajuda a criar confiança e facilita a realização dos exames necessários.

A médica aconselha mulheres e homens a conhecerem o próprio corpo e a estarem atentos a alterações nas mamas, no tamanho, formato, cor ou aspecto dos mamilos e, perante qualquer sinal suspeito, recomenda a procura imediata do Centro de Saúde para avaliação e eventual encaminhamento para exames complementares.

Segundo Heriana Pereira, embora seja mais frequente nas mulheres, o cancro da mama também pode atingir os homens pelo que a detecção precoce aumenta as possibilidades de tratamento e o medo não deve impedir ninguém de procurar ajuda. 

Por isso, as palestras, feiras de saúde e acções comunitárias promovidas pela estrutura decorrem durante todo o ano.

A médica destacou, igualmente a importância dos cuidados paliativos, defendendo que o acompanhamento deve abranger não só o doente, mas também os familiares, muitas vezes sobrecarregados pela responsabilidade de cuidar.

“Quem está a cuidar também precisa de cuidado”, sublinhou, apelando à partilha das responsabilidades entre familiares e à participação da comunidade, incluindo vizinhos, para apoiar os cuidadores e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

Neste Outubro Rosa, a mensagem da médica é clara, “ouvir o próprio corpo, vencer o silêncio e procurar ajuda sem vergonha pode fazer a diferença” e perante a doença, ninguém deveria ter de enfrentar tudo sozinho.

MC/HF

Inforpress/Fim

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