
Lisboa, 05 Ago (Inforpress) - As centrais de produção de oxigénio medicinal instaladas nos hospitais da Praia e de São Vicente entram em funcionamento em Setembro, produzindo oxigénio de qualidade conforme as normas da Farmacopeia Europeia, garantiu hoje a empresa portuguesa Ultra Controlo.
Em entrevista à Inforpress, o presidente executivo (CEO) da Ultra Controlo, Sabino Pompeia, afirmou que o oxigénio produzido pelas centrais PSA (Pressure Swing Adsorption) cumpre integralmente os parâmetros de qualidade estipulados pela Farmacopeia Europeia (Ph.Eur.) para o oxigénio medicinal a 93 por cento (%).
A garantia surge para esclarecer dúvidas levantadas por empresas do sector em Cabo Verde quanto à qualidade do produto a ser gerado nas unidades de saúde locais.
"O oxigénio produzido pelas nossas centrais cumpre na íntegra os parâmetros de qualidade definidos pela Farmacopeia Europeia para o oxigénio medicinal de 93%", assegurou.
Segundo explicou, a Farmacopeia Europeia reconhece oficialmente o oxigénio medicinal a 93% ± 3%, produzido por centrais PSA, através da Monografia 2455, considerando-o um medicamento para uso humano, desde que respeite os requisitos de qualidade, pureza e limites de impurezas previstos na legislação.
O responsável indicou que a diferença entre o oxigénio com pureza de 99,5% e o de 93% reside apenas no método de produção e na concentração do gás.
"O oxigénio a 99,5% é produzido por destilação criogénica do ar e distribuído normalmente em forma líquida ou em cilindros. O oxigénio a 93% ± 3% é produzido localmente por centrais PSA instaladas nos hospitais. Ambos são gases medicinais reconhecidos pelas respectivas monografias farmacopéicas e podem ser utilizados na terapêutica dos doentes, desde que cumpram os requisitos de qualidade e sejam produzidos e distribuídos em conformidade com a legislação e as normas aplicáveis”, precisou.
Sabino Pompeia acrescentou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconhece as centrais PSA como uma solução segura e adequada para o abastecimento hospitalar, sendo esta tecnologia amplamente utilizada em todo mundo, especialmente para aumentar a autonomia das unidades de saúde e reduzir a dependência da importação de cilindros ou de oxigénio líquido.
Neste sentido, considerou "tecnicamente e regulamentarmente incorrecta" a tese de que apenas o oxigénio com 99,5% de pureza pode ser considerado oxigénio medicinal, como alegam as empresas cabo-verdianas do ramo.
O CEO da Ultra Controlo adiantou ainda que a empresa, com mais de 40 anos e com projectos em mais de 80 países, concebeu para as centrais instaladas no Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, e no Hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, produtos de topo e preparadas para trabalhar pelo menos 20 anos.
As duas centrais deverão entrar em funcionamento em Setembro, permitindo a produção local de oxigénio medicinal e reduzindo a dependência das importações.
A unidade instalada em São Vicente terá ainda capacidade para encher garrafas e abastecer pelo menos três a quatro ilhas do arquipélago.
O projecto foi financiado pelo Fundo Global e pela i+solutions, em parceria com o Ministério da Saúde de Cabo Verde, e inclui igualmente sistemas de vácuo medicinal, ar medicinal, evacuação de gases anestésicos, protóxido de azoto e redes de distribuição de gases medicinais, além de painéis solares para alimentar parte da infraestrutura.
FM/CP
Inforpress/Fim
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