Kremlin avisa Trump que um novo acordo nuclear será processo "longo e difícil"

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Kremlin avisa Trump que um novo acordo nuclear será processo "longo e difícil"
29/01/26 - 12:07 pm

Moscovo, 29 Jan (Inforpress) — A presidência russa (Kremlin) avisou hoje o Presidente norte-americano, Donald Trump, que a assinatura de um novo tratado de desarmamento nuclear, após a expiração do START III a 04 de fevereiro, será um processo “longo e difícil”.

“Fazer um novo [tratado] será [um processo] longo e difícil. Há muitos fatores envolvidos”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, na sua conferência de imprensa diária.

Peskov recordou a declaração de Trump numa entrevista recente ao jornal The New York Times: “O documento expira? Vamos fazer um novo, que será ainda melhor”, sublinhando que a Rússia continua à espera da iniciativa da Casa Branca.

“Ainda estamos à espera e o prazo está a aproximar-se. Não houve resposta dos EUA”, acrescentou, aludindo à proposta apresentada em setembro de 2025 pelo líder russo, Vladimir Putin, para prorrogar por um ano a aplicação das restrições a armas estratégicas estabelecidas pelo START III (Strategic Arms Reduction Treaty).

Peskov alertou ainda que a expiração do último tratado de desarmamento entre as duas potências nucleares cria “um défice jurídico nesta área” e que “isso representará uma lacuna significativa que dificilmente servirá os interesses dos povos de ambos os países e de todo o planeta”.

“Estamos a falar de estabilidade estratégica global”, sublinhou.

Na segunda-feira, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, tinha lembrando Washington de que a proposta russa continua em aberto.

“A implementação da iniciativa russa poderá contribuir significativamente para garantir a segurança global e expandir o diálogo estratégico com os EUA”, afirmou, em declarações ao jornal Kommersant.

Medvedev, que, enquanto Presidente da Rússia, assinou o START III em Praga, em 2010, ao lado do seu então homólogo norte-americano, Barack Obama, realçou que a futura retoma da cooperação no controlo de armamento está diretamente ligada à criação de “condições favoráveis para tal”.

Para começar, sublinhou, “é necessária uma normalização básica das relações russo-americanas”.

É preciso “garantir que Washington está verdadeiramente disposto – não apenas por palavras, mas na prática – a respeitar os nossos interesses fundamentais de segurança. E que é capaz de trabalhar em pé de igualdade para reduzir o potencial de conflito”, observou.

Segundo Medvedev, os sinais vindos de Washington sobre a capacidade e interesse para cumprir estes objetivos “são claramente insuficientes”. 

Por isso, defendeu, é melhor não ter o tratado START IV do que um acordo que mascare a desconfiança mútua e desencadeie uma corrida ao armamento noutros países”.

A Rússia suspendeu a implementação do tratado, embora não se tenha retirado formalmente do mesmo, a 21 de fevereiro de 2023, após o que os peritos ocidentais não puderam inspecionar as instalações russas.

O tratado limita o número de armas nucleares estratégicas, com um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 sistemas de mísseis balísticos terrestres, marítimos ou aéreos para cada uma das duas potências. 

Inforpress/Lusa

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