
Cidade da Praia, 29 Jan (Inforpress) – O comandante do navio Liberdadi, Alírio Tavares, explicou hoje à Inforpress que as condições meteorológicas adversas registadas nos últimos meses têm estado na origem dos sucessivos cancelamentos de viagens da embarcação.
De acordo com o responsável, o período compreendido entre os meses de Dezembro e Março é, tradicionalmente, marcado por instabilidade marítima, caracterizada por forte ondulação e ventos intensos, mas este ano o cenário apresenta-se “particularmente mais agressivo”, com níveis elevados de agitação marítima que ultrapassam, em vários momentos, os limites operacionais de segurança.
“O Liberdadi opera em rotas longas e, sempre que as condições do mar ultrapassam os parâmetros técnicos de segurança definidos, a viagem é automaticamente cancelada. A decisão não é administrativa, é técnica e baseada exclusivamente na segurança da navegação e na protecção da vida humana”, afirmou.
Segundo Alírio Tavares, a prioridade absoluta da operação marítima é a segurança dos passageiros, da tripulação e da própria embarcação, sublinhando que nenhuma pressão económica ou logística pode justificar a exposição de vidas humanas a riscos elevados.
O comandante reconheceu que os cancelamentos têm impactos significativos na vida dos passageiros, afectando deslocações ligadas à saúde, ao comércio, ao trabalho e a compromissos familiares, bem como na própria sustentabilidade operacional da empresa.
“O impacto é grande para todos, mas a segurança tem de estar sempre em primeiro lugar. Não se pode navegar quando as condições meteorológicas indicam perigo real”, reforçou.
Relativamente à comunicação com os passageiros, explicou que essa responsabilidade cabe aos serviços de comunicação da empresa, que devem assegurar a divulgação das informações através dos canais oficiais, nomeadamente redes sociais, pontos de venda e mensagens directas aos clientes, garantindo transparência quanto aos motivos técnicos dos cancelamentos.
Alírio Tavares deixou ainda uma mensagem directa aos utentes do transporte marítimo interilhas, apelando à compreensão da população.
“Compreendemos os passageiros. Quando as previsões são muito adversas, cancelar a viagem é uma decisão de protecção da vida humana. Assim que as condições melhorarem, as operações serão retomadas normalmente”, assegurou.
O comandante explicou também que cada navio possui limitações técnicas próprias, definidas por certificações marítimas e características estruturais, o que significa que diferentes embarcações têm diferentes capacidades de navegação em mar agitado.
“Cada navio tem os seus limites operacionais. As decisões são sempre baseadas nos boletins meteorológicos oficiais e nos parâmetros técnicos certificados de cada embarcação”, concluiu.
A situação marítima continua a ser monitorizada pelas autoridades e operadores, estando a retoma regular das ligações dependente da melhoria efectiva das condições oceânicas.
KA/SR/JMV
Inforpress/Fim
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