Jean Piaget promove formação em língua gestual para inclusão no atendimento público

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Jean Piaget promove formação em língua gestual para inclusão no atendimento público
04/05/26 - 06:09 pm

Cidade da Praia, 04 Mai (Inforpress) - A Universidade Jean Piaget iniciou hoje, na Praia, uma formação em linguagem gestual destinada aos funcionários públicos, com o objectivo de melhorar o atendimento a pessoas com deficiência auditiva e reforçar a inclusão social.

Em declarações à Inforpress, o coordenador do curso de Ciências da Educação da Universidade Jean Piaget, Gilvan Vitor, afirmou que a formação em língua gestual, que decorre ao longo de 15 dias, visa capacitar diferentes profissionais para garantir um atendimento mais inclusivo às pessoas com deficiência auditiva.

Segundo aquele responsável, a iniciativa envolve médicos, enfermeiros, agentes policiais e funcionários da Câmara Municipal da Praia, num total de cerca de 80 formandos, e o “objectivo é capacitar essas pessoas para que possam prestar o melhor atendimento possível, sobretudo no que diz respeito à inclusão”.

Gilvan Vitor adiantou que a principal dificuldade enfrentada pelas instituições no atendimento a pessoas surdas está relacionada com a comunicação, sublinhando que a maioria dos profissionais não recebe formação nesta área durante o percurso académico.

Para colmatar essa lacuna, a universidade optou por implementar um projecto de extensão, no qual os estudantes substituem o tradicional Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por acções práticas de capacitação dirigidas à sociedade.

A iniciativa surge também como uma forma de retribuição social, enquadrada na lei da gratuidade do ensino superior, permitindo que os estudantes contribuam directamente para a melhoria dos serviços públicos.

“É uma resposta àquilo que a sociedade nos proporcionou ao longo da formação”, reforçou.

A formação decorre em regime intensivo, com sessões diárias distribuídas entre manhã e tarde, privilegiando a componente prática e a conversação.

De acordo com o coordenador, a expectativa “não é formar especialistas em tão curto período, mas garantir que os participantes adquiram competências básicas para se comunicar com pessoas com deficiência auditiva”.

Outro aspecto destacado é o facto de as aulas serem ministradas por estudantes surdos, proporcionando uma experiência mais imersiva e eficaz no processo de aprendizagem.

Entre os participantes, Kelly Cruz, funcionária da Câmara Municipal da Praia, considerou a iniciativa “muito importante”, sobretudo para os serviços de atendimento ao público, afirmando que a formação permitirá melhorar a comunicação com cidadãos surdos, evitando constrangimentos e promovendo um atendimento mais eficaz e humano.

A participante defendeu ainda a necessidade de mais acções formativas do género, especialmente para profissionais que lidam directamente com o público, sublinhando que a inclusão deve ser uma prioridade nas instituições.

Apesar dos avanços legais em Cabo Verde no que diz respeito à acessibilidade, Gilvan Vitor alertou que ainda há desafios a superar, nomeadamente no acesso a formações gratuitas e de maior duração, capazes de garantir uma aprendizagem mais consistente da língua gestual.

CG/SR//ZS

Inforpress/Fim

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