
Cidade da Praia, 04 Mai (Inforpress) - A Universidade Jean Piaget iniciou hoje, na Praia, uma formação em linguagem gestual destinada aos funcionários públicos, com o objectivo de melhorar o atendimento a pessoas com deficiência auditiva e reforçar a inclusão social.
Em declarações à Inforpress, o coordenador do curso de Ciências da Educação da Universidade Jean Piaget, Gilvan Vitor, afirmou que a formação em língua gestual, que decorre ao longo de 15 dias, visa capacitar diferentes profissionais para garantir um atendimento mais inclusivo às pessoas com deficiência auditiva.
Segundo aquele responsável, a iniciativa envolve médicos, enfermeiros, agentes policiais e funcionários da Câmara Municipal da Praia, num total de cerca de 80 formandos, e o “objectivo é capacitar essas pessoas para que possam prestar o melhor atendimento possível, sobretudo no que diz respeito à inclusão”.
Gilvan Vitor adiantou que a principal dificuldade enfrentada pelas instituições no atendimento a pessoas surdas está relacionada com a comunicação, sublinhando que a maioria dos profissionais não recebe formação nesta área durante o percurso académico.
Para colmatar essa lacuna, a universidade optou por implementar um projecto de extensão, no qual os estudantes substituem o tradicional Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por acções práticas de capacitação dirigidas à sociedade.
A iniciativa surge também como uma forma de retribuição social, enquadrada na lei da gratuidade do ensino superior, permitindo que os estudantes contribuam directamente para a melhoria dos serviços públicos.
“É uma resposta àquilo que a sociedade nos proporcionou ao longo da formação”, reforçou.
A formação decorre em regime intensivo, com sessões diárias distribuídas entre manhã e tarde, privilegiando a componente prática e a conversação.
De acordo com o coordenador, a expectativa “não é formar especialistas em tão curto período, mas garantir que os participantes adquiram competências básicas para se comunicar com pessoas com deficiência auditiva”.
Outro aspecto destacado é o facto de as aulas serem ministradas por estudantes surdos, proporcionando uma experiência mais imersiva e eficaz no processo de aprendizagem.
Entre os participantes, Kelly Cruz, funcionária da Câmara Municipal da Praia, considerou a iniciativa “muito importante”, sobretudo para os serviços de atendimento ao público, afirmando que a formação permitirá melhorar a comunicação com cidadãos surdos, evitando constrangimentos e promovendo um atendimento mais eficaz e humano.
A participante defendeu ainda a necessidade de mais acções formativas do género, especialmente para profissionais que lidam directamente com o público, sublinhando que a inclusão deve ser uma prioridade nas instituições.
Apesar dos avanços legais em Cabo Verde no que diz respeito à acessibilidade, Gilvan Vitor alertou que ainda há desafios a superar, nomeadamente no acesso a formações gratuitas e de maior duração, capazes de garantir uma aprendizagem mais consistente da língua gestual.
CG/SR//ZS
Inforpress/Fim
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