
Lisboa, 05 Ago (Inforpress) – A embaixadora do Paquistão em Lisboa recusou hoje admitir falhanços nas negociações de paz entre em Estados Unidos e Irão, salientando que o maior desafio é “cada um entender a posição do outro”.
Em declarações à agência Lusa à margem de uma mesa redonda sobre “A Importância do Direito Internacional na Manutenção da Paz e Segurança Regional”, que decorreu terça-feira em Lisboa, Aisha Farooqui considerou que a mediação do Paquistão, a par da do Qatar e do Egito, é importante porque tem uma “maior compreensão de onde vem um e o outro”.
“Não quero usar a palavra falhar. Há barreiras, há desafios, há, às vezes, uma dificuldade em entender a posição dos outros. E é por isso que o papel dos mediadores se torna importante, pois têm uma maior compreensão de onde vem um e outro. Assim, como mediador honesto, o Paquistão tem conseguido falar com ambos os lados”, sublinhou a diplomata paquistanesa.
Lembrando as longas e excelentes relações com Estados Unidos e Irão, uma das razões por que o Paquistão avançou para a mediação, Farooqui realçou que a rivalidade entre esses dois países “já dura há décadas”, tratando-se de uma “relação muito difícil”, com as sanções de Washington a Teerão e os conflitos regionais.
“Quando as conversas ocorreram em abril em Islamabad, os dois países e respetivos interlocutores sentaram-se juntos, frente a frente, depois de mais de 40 anos.
Na nossa visão, isso foi um feito, em que se ultrapassou uma barreira”, sublinhou.
Questionada pela Lusa sobre se o Paquistão consegue antever uma solução para o conflito, Farooqui insistiu na ideia de que “só o diálogo e a diplomacia” podem resolver as divergências, enfatizando o facto de que a questão “já não é um assunto regional, mas sim um assunto global”.
“Isso afeta todos. Todos têm um risco de paz. E desde o primeiro dia, o Paquistão tem estado a dizer isso publicamente, que o diálogo e a diplomacia devem prevalecer e que devemos dar-lhe uma possibilidade”, respondeu.
“Não nos podemos esquecer que, no conflito que começou no fim de fevereiro deste ano, muitas vidas foram perdidas no Irão. Toda a sua liderança foi abatida. É claro que há raiva entre a população no Irão. Há um sentimento de pesar, de perda, de que foram vítimas [dos Estados Unidos]. E essas são situações difíceis, são emoções de toda uma nação. E eu acho que isso precisa ser entendido por todos”, sustentou.
Instada sobre se tal deve ser entendido sobretudo pelos Estados Unidos, a diplomata paquistanesa foi afirmativa.
“É necessário dar os passos para que os dois lados sintam que foram ouvidos, que são vistos e que as suas preocupações e sentimentos de perda são entendidos e tomados em conta”, explicou, avisando que, no momento atual, a questão dos direitos humanos e dos direitos das mulheres no Irão “não é uma questão”.
“No conflito atual, que decorre há mais de quatro meses, isso não é uma questão. Isso é para o povo iraniano decidir, dentro do Irão, com o seu Governo, em que deve definir o que querem relativamente às liberdades fundamentais, de acordo com as suas práticas culturais e das suas próprias tradições. Penso que a natureza do conflito e dos problemas são um pouco diferentes. E eu acho que não vamos confundir os dois, na nossa visão”, acrescentou.
Farooqui salientou que o Paquistão se envolveu na mediação sobretudo porque tem uma relação histórica com o Irão, com quem partilha uma fronteira de 900 quilómetros, bem como “parcerias fraternas” com todos os países da região, sobretudo com a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã e Qatar, bem como no Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
“Por outro lado, temos uma relação longa com os Estados Unidos, que datam desde a criação do Paquistão [em 1947]. Trabalhamos com eles, lutamos guerras com eles, fomos um parceiro na NATO, estivemos juntos durante a invasão soviética de Afeganistão”, sintetizou.
"Não desejamos que haja guerra na nossa fronteira. Já tivemos uma relação muito difícil e momentos difíceis com o nosso outro vizinho, o Afeganistão, na nossa fronteira norte, com uma extensão de 2.600 quilómetros. No leste, também temos uma relação muito difícil com a Índia. Esta é uma parte difícil do mundo”, acrescentou.
Questionada pela Lusa sobre a relação do Paquistão com Israel, Farooqui limitou-se a indicar que Islamabad não reconhece o Governo e o Estado de Israel e que os paquistaneses defendem a causa palestiniana desde 1947, pelo que a posição só será alterada quando se aprovar uma solução de dois Estados.
Inforpress/Lusa
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