
Cidade da Praia, 05 Jul (Inforpress) – A inédita e histórica participação dos Tubarões Azuis no Campeonato do Mundo de futebol dominou hoje a sessão solene do 5 de Julho na Assembleia Nacional, onde os partidos políticos celebraram com orgulho o 51º aniversário da independência nacional.
O feito desportivo foi apontado pelos líderes políticos como o exemplo máximo da ambição e união do país, abrindo caminho para o debate sobre as reformas de Estado e os desafios socioeconómicos do arquipélago.
A presença da bandeira e do hino nacional no maior palco do futebol mundial foi descrita como um momento “marcante de afirmação e autoconfiança colectiva que uniu o país e a diáspora”.
Inspirado pelo espírito de união, o deputado e presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), João Santos Luís, centrou-se na maturidade política e nos ganhos históricos, sem deixar de apontar as fragilidades que motivam a emigração jovem e a insatisfação social.
A resolução das disparidades persistentes entre as diferentes ilhas, o custo de vida e o elevado impacto no quotidiano das populações passam, segundo o presidente da UCID, pela regionalização, pela desburocratização do Estado e pela preparação das novas gerações para a liderança do país.
A fechar a sua intervenção, reforçou o apelo para que a independência - conquistada sob a liderança de Amílcar Cabral - seja sempre tratada como um património de toda a nação cabo-verdiana, estando acima de quaisquer interesses político-partidários.
O líder parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD), Luís Carlos Silva, afirmou no seu discurso que a independência não representa apenas um acontecimento na história de Cabo Verde, mas sim a afirmação de um povo, a confiança de uma Nação nas suas capacidades e o compromisso das sucessivas gerações com a construção de um país livre.
Aproveitando o sentimento de júbilo colectivo, Luís Carlos Silva viajou pelas raízes históricas do arquipélago para lembrar que a independência nacional, conquistada a 5 de Julho de 1975, não foi um acontecimento isolado, mas sim o resultado de um processo secular construído “pedra a pedra”.
Quanto ao processo da independência nacional, apelou à classe política para que esta data seja vista para além das barreiras ideológicas e reforçou que a celebração “só ganha verdadeiro sentido quando se supera a agenda e os interesses políticos-partidários e se honra a independência como uma conquista da nação cabo-verdiana”, prestando tributo a Amílcar Cabral.
Por sua vez, ao usar da palavra, a líder da bancada parlamentar do PAICV, Carla Lima, defendeu que o processo de desenvolvimento de Cabo Verde resulta do esforço contínuo e bem-sucedido de todos os governos e partidos ao longo da história democrática do país, alegando que Cabo Verde não é de um partido, mas sim de todos.
Na sua missiva, Carla Lima revisitou o ponto de partida crítico de 1975, lembrando os dados que caracterizavam a vulnerabilidade inicial do Estado soberano, com mais de metade da população analfabeta, uma esperança média de vida em redor dos 55 anos, um rendimento anual por habitante inferior a 300 dólares e os cofres públicos vazios.
“Crescer sem dar respostas atempadas à saúde, à justiça e aos serviços essenciais num regime democrático não pode ser um bom indicador de avaliação. Um Governo só pode ser avaliado pelo impacto que a sua política teve na vida das pessoas”, salientou, afirmando que, enquanto líder parlamentar, vai trabalhar para que, ainda este ano, haja uma solução para a renovação dos órgãos externos cuja designação depende da Casa Parlamentar.
PC/ZS
Inforpress/Fim
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