Ilha do Sal: Presidente CTCV pede acções práticas para capitalizar projecção de Cabo Verde ganha no Mundial

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Ilha do Sal: Presidente CTCV pede acções práticas para capitalizar projecção de Cabo Verde ganha no Mundial
14/07/26 - 02:53 pm

Santa Maria, 14 Jul (Inforpress) – O presidente da CTCV, Jorge Spencer Lima, defendeu hoje a necessidade do país avançar com “acções práticas e imediatas” para capitalizar a projecção ganha no Mundial de Futebol, sob pena de perder uma “oportunidade de ouro”. 

Em entrevista à Inforpress, o presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde (CTCV) alertou que a ilha do Sal já atingiu o seu "limite de saturação" em termos de capacidade de carga e criticou a "inércia" do Governo na efectivação dos acordos público-privados assinados há sete anos.

Segundo Jorge Spencer Lima, o desempenho de Cabo Verde no Mundial despertou o interesse de vários mercados emissores de turismo, nomeadamente o brasileiro, o irlandês e o português, revelando que a maior agência de viagens do Brasil já está em contactos com operadores nacionais para o envio de turistas.

Contudo, Jorge Spencer Lima adverte que o país não se pode limitar a assistir ao sucesso desportivo sem agir no terreno.

"Temos a mania de ficar de braços cruzados à espera que as coisas nos caiam no regaço. O Mundial terminou há pouco tempo, as pessoas ainda têm na memória a excelente prestação de Cabo Verde, mas agora é preciso trabalhar, fazer propaganda do nosso destino e aproveitar este momento forte", exortou.

Neste sentido, instou a companhia aérea de bandeira, TACV, a "acordar" para este movimento e a rentabilizar a rota Praia-Brasil, da qual é a única operadora directa.

Para captar e consolidar estes mercados, o responsável apontou a realização da feira de turismo "Expo-Tour", em Setembro, na ilha do Sal, como uma plataforma crucial que reunirá agências europeias, do continente africano e do Brasil. 

A par das boas perspectivas de crescimento do sector, o presidente da CTCV manifestou profunda preocupação com o actual modelo de desenvolvimento turístico, afirmando categoricamente que a ilha do Sal já se encontra num estado de "saturação".

Para Jorge Spencer Lima, os reflexos desse excesso de carga já se fazem sentir no Sal através de falhas sistemáticas no fornecimento de água e electricidade, na precariedade dos serviços de saúde e, de forma mais alarmante, numa "grave crise habitacional".

O surgimento de companhias aéreas de baixo custo (low cost) e a multiplicação das plataformas de alojamento local (Airbnb) fizeram com que os proprietários, em Santa Maria, direccionassem os seus imóveis para o turismo de curta duração, deixando os trabalhadores do sector sem habitação acessível.

"Os empregados cabo-verdianos já não têm onde morar em Santa Maria e estão a ser empurrados para as barracas. Alguma medida tem de ser tomada pelo Estado para que a situação não se descontrole. Se não, vai chegar o momento em que a população vai para a rua protestar contra o excesso de turismo e a falta de casas", advertiu.

Por outro lado, o líder da CTCV criticou a falta de retorno dos impostos gerados pelo sector para as infra-estruturas públicas básicas da ilha do Sal, adiantando que, das receitas da taxa turística arrecadadas anualmente no País (cerca de 1,5 milhões de contos), perto de 900 mil contos provêm do Sal.

"Não é admissível que os caminhos de acesso aos principais pontos turísticos do Sal continuem em terra batida porque o Estado não faz uma estrada de 100 ou 200 mil contos. Não se pode esperar que seja o privado a resolver estes problemas de saneamento, água e vias. O privado paga impostos para que o Estado faça investimentos públicos", sustentou.

Jorge Spencer Lima estendeu as críticas à situação da capital do País, Praia, que, no seu entender, tem um "potencial enorme" para o turismo de negócios e de congressos, mas encontra-se com as ruas "esburacadas", sem manutenção e desprovida de um centro de congressos adequado.

Instado sobre o papel das parcerias público-privadas para mitigar estes constrangimentos, o presidente da CTCV classificou o discurso oficial sobre a matéria como "mera conversa".

"Em 2017, assinamos um acordo com o primeiro-ministro para a transferência de competências do sector público-privado para as Câmaras de Comércio do Barlavento, do Sotavento e para a CTCV. Depois disso, já assinamos mais dois acordos complementares. Passaram sete anos e nada foi implementado”, concluiu.

NA/HF

Inforpress/Fim

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