Espargos, 20 Mar (Inforpress) - O presidente do conselho directivo do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) disse hoje, no Sal, que quer aproximar o sector produtivo e dos operadores para saber quais as principais questões que os inquietam quanto ao mercado de trabalho.
Paulo Santos deixou esta consideração durante a abertura de um encontro com os operadores turísticos e empregadores na ilha do Sal para tentar encontrar, em conjunto, “boas soluções para as empresas que precisam e boas soluções para a juventude que precisa de entrar no mercado de trabalho”.
“Fala-se muito da questão da falta de mão-de-obra, a falta de pessoas qualificadas, entretanto nós ainda em Cabo Verde não temos poder de emprego, temos cerca de 23,9% de jovens dos 15 aos 24 anos que estão no desemprego, 155 mil pessoas na inactividade e 17,8% e os dados dizem que essas pessoas estão na inactividade por falta de emprego”, sublinhou.
Entretanto assegurou que o IEFP tem tido uma política “agressiva” ao nível da qualificação, formando entre quatro a cinco mil jovens do sector da formação profissional por ano em diversos sectores de actividade.
Por isso, continuou Paulo Santos, o interesse em dialogar com os empregadores para poderem chegar a um entendimento do que é preciso fazer neste sentido, tanto para os empregadores como também para os jovens que precisam de entrar no mercado de trabalho e precisam de ter acesso ao rendimento.
Destacou que o encontro é também no sentido de apresentar todos os serviços que o IEFP tem disponível, lembrando que o instituto “não só tem um papel importante ao nível do fomento da formação profissional, mas também ao nível da intermediação laboral”.
Neste quesito disse que estão a estruturar o serviço de intermediação laboral, “inovando e apostando nas novas tecnologias” para tentar criar boas soluções para as empresas.
Paulo Santo salientou ainda que têm consciência que os dados da Organização Mundial do Trabalho (OIT) apontam que na África Subsariana cerca de 24 a 27% das empresas sentem dificuldade de produtividade por falta de uma obra qualificada, mas acrescentou que o IEFP está a trabalhar nessa perspectiva de qualificar a juventude cabo-verdiana.
“É pertinente ouvir o sector turístico principalmente aqui na ilha do Sal e é um sector predominante que contribui em cerca de 25% para o PIB. Nós temos uma boa escola de hotelaria, mas nós formamos também em áreas conexas, transversais, que fazem também parte de toda a cadeia de valor do sector”, acrescentou.
A mesma fonte adiantou que o IEFP tem previsto, para breve, lançar um programa nos bairros para aproximar as comunidades e levar os jovens para dentro dos centros de formação.
“Permanentemente ouvimos alguns sectores de actividade de construção civil, outros sectores a dizerem que não têm pessoas para trabalhar, e, no entanto, nós sabemos também que há pessoas no mercado, há desempregados, há pessoas que fizeram formação e estão no desemprego, então nós precisamos criar essa plataforma para podermos trabalhar em conjunto e apresentar boas soluções”, sublinhou.
Paulo Santos concluiu, afirmando que está em permanente contacto com a tutela da pasta da promoção empresarial no sentido de apresentarem políticas públicas para este problema.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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