
Santa Maria, 20 Nov (Inforpress) – O Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), celebrou hoje o 36.º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) e o Dia Mundial da Criança, com uma conferência sobre o impacto crescente das alterações climáticas.
O evento decorreu no Jardim Botânico Pachamama Eco Park, espaço escolhido por representar a “ligação directa” entre educação ambiental, biodiversidade e consciencialização ecológica.
A conferência dedicada ao tema, “Protecção da Criança em Contextos de Mudanças Climáticas – Meu Dia, Meus Direitos”, reuniu autoridades, técnicos, educadores, jovens embaixadores do ambiente e dezenas de crianças.
A conferência integrou dois painéis centrais, “A Criança no Centro da Acção Climática: Integrar a Protecção Infantil nas Políticas Ambientais e de Resiliência Comunitária”, apresentado pela técnica da Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC), Zoraida Fortes, e “Educar para o Futuro: Cidadania Ecológica e Sustentabilidade nas Escolas”, ambos voltados para o reforço da educação ambiental e da participação activa da criança na construção de comunidades mais resilientes.
Na abertura, a delegada do ICCA no Sal, Queila Soares, destacou que celebrar os direitos da criança num espaço de preservação ambiental é uma forma de sensibilizar para os desafios climáticos que Cabo Verde enfrenta.
“Trouxemos esta conferência para este espaço em reflexão às alterações climáticas, que têm impactos fortes em ilhas como São Vicente”, afirmou, sublinhando que o país não está imune aos fenómenos naturais extremos e que é essencial preparar as comunidades e, sobretudo, as crianças.
“A ideia é mostrar que as crianças conhecem os seus direitos, têm voz e querem que os governantes melhorem as condições ambientais para que possam viver com dignidade”, reforçou, apelando à participação activa dos mais novos e da sociedade no debate sobre o ambiente.
O vereador da área do Saneamento da Câmara Municipal do Sal, Francisco Correia, lembrou que a ligação entre ambiente e infância é central para o futuro das comunidades.
“Se não preservarmos o ambiente e não cuidarmos das nossas crianças, o futuro está comprometido”, advertiu o vereador e lembrou que Cabo Verde vive fenómenos climáticos cada vez mais intensos.
O vereador defendeu “políticas de protecção social ajustadas às vulnerabilidades climáticas”, a criação de infra-estruturas resilientes e mecanismos de emergência que garantam segurança e apoio psicossocial às crianças.
“Somos um país insular. Se continuarmos com comportamentos prejudiciais ao ambiente, as nossas ilhas estarão comprometidas”, alertou.
Em representação das crianças e adolescentes, Nyara Monteiro, afirmou que os efeitos das alterações climáticas já são visíveis no quotidiano da infância.
“O mundo está a mudar por causa do clima. Secas, aumento de temperaturas e chuvas fortes afectam a nossa saúde, a nossa escola e a nossa comunidade”, disse, reforçando que todas as crianças têm direito ao ar puro, água limpa, alimentação saudável e um ambiente seguro.
Nyara destacou ainda que a conferência é um espaço de participação e partilha, porque as crianças “não são apenas o futuro, são parte importante do presente e cada gesto conta”.
A sessão contou também com a participação dos Jovens Embaixadores do Ambiente do projecto “Educação Ambiental e Envolvimento Comunitário”, da Associação Projecto Biodiversidade, que partilharam “boas práticas” de sustentabilidade e iniciativas para envolver escolas e comunidades na protecção do planeta.
A conferência encerrou com o compromisso de “fortalecer” políticas públicas, educação ambiental e mecanismos de participação infantil, reafirmando que a protecção da criança passa, inevitavelmente, pela protecção do ambiente, sobretudo num país vulnerável como Cabo Verde.
NA/HF
Inforpress/Fim
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