Ilha do Sal: Encontro Nacional de Saúde termina com foco na qualidade, telemedicina e cuidados primários

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Ilha do Sal: Encontro Nacional de Saúde termina com foco na qualidade, telemedicina e cuidados primários
05/02/26 - 08:30 pm

Santa Maria, 05 Fev (Inforpress) – O primeiro Encontro Nacional de Saúde terminou hoje, no Sal, com a aprovação de um conjunto de recomendações estratégicas.

Essas recomendações apontam para a reorganização dos cuidados de saúde primários, o reforço da telemedicina e a adopção de uma abordagem sistémica.

Os resultados e recomendações finais do encontro foram apresentados pela coordenadora da Equipa de Relatores do Encontro Nacional de Saúde, Evanilda Santos, durante a sessão de encerramento.

Entre as principais conclusões, visando melhorar a eficiência, a equidade e a centralidade da pessoa no Sistema Nacional de Saúde, consta a “adopção e consolidação do modelo de organização e governação clínica nos centros de saúde”, assente em equipas de medicina geral, familiar e rural, com listas de utentes definidas e orientadas por indicadores de desempenho, continuidade e qualidade assistencial.

O encontro recomendou, igualmente, o reforço da formação contínua dos profissionais de saúde, de modo a garantir cuidados de saúde primários mais integrados, eficientes e centrados na pessoa ao longo do ciclo de vida.

No domínio da inovação, foi defendida a optimização da telemedicina já implementada, integrando-a de forma sistemática nos cuidados de saúde primários e hospitalares, com o objectivo de reduzir evacuações desnecessárias, melhorar o acesso a cuidados especializados, assegurar a continuidade assistencial e aumentar a eficiência do sistema de saúde.

Foi ainda recomendada a abertura da medicina “online” a prestadores privados e a redes de prestadores internacionais, incluindo teleconsultas e assistência domiciliária.

As recomendações incluem também a digitalização dos processos e dados e o reforço da interoperabilidade entre os serviços públicos e privados, bem como a expansão gradual da Intervenção Comunitária de Proximidade (Icopro) a todas as zonas dos concelhos, com especial enfoque nas áreas de difícil acesso.

No que respeita à população idosa, o Encontro Nacional de Saúde defendeu a formação contínua dos profissionais de saúde e a utilização de sistemas informatizados para monitorização, visando a detecção precoce de riscos, a melhoria da continuidade dos cuidados e a promoção de um envelhecimento activo e saudável.

Foi igualmente recomendada a elaboração de uma revista de boas práticas do Sistema Nacional de Saúde, sob liderança da Direcção Nacional de Saúde (DNS), em parceria com o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros parceiros, bem como a expansão e institucionalização dos cuidados preventivos e da recolha de amostras ao domicílio.

As conclusões incluem, ainda, a realização de estudos sobre a percepção dos utentes relativamente aos profissionais de saúde, a utilização dos resultados para identificar pontos fortes e áreas de melhoria no atendimento e o desenvolvimento de estratégias de comunicação e de proximidade para reforçar a confiança da população no sistema de saúde.

O encontro recomendou também o reforço da abordagem integrada à saúde, envolvendo outros sectores relevantes, como a meteorologia, a integração dos sistemas de informação EVDR (vigilância de doenças e riscos) e SINER (Sistema Nacional de Resposta a Emergências), bem como a articulação com dados provenientes de outros sectores.

Foi ainda recomendada a criação de um canal institucional de comunicação da Direcção Nacional de Saúde, com funções de informação, esclarecimento, encaminhamento, registo de reclamações e sugestões, bem como “feedback” aos utentes, com vista a aumentar a transparência, reforçar a confiança no sistema de saúde e reduzir as insatisfações.

O Encontro Nacional de Saúde propôs, igualmente, o reforço da parceria entre o Ministério da Saúde e a Repartição Nacional de Estatística (RNE) para o uso integrado de dados estatísticos e administrativos, apoiando decisões mais eficazes, equitativas e sustentáveis no sector.

Entre outras recomendações constam a criação de um grupo técnico para a finalização dos instrumentos de gestão, a reflexão sobre um estatuto de região sanitária para a ilha do Sal, com discriminação positiva em termos de recursos humanos, e a criação de um Museu de Antiguidades em Saúde, destinado a preservar e valorizar o património histórico da saúde em Cabo Verde.

NA/HF

Inforpress/Fim

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