ICCA manifesta indignação com rede de exploração sexual de menores e apela ao reforço das denúncias

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ICCA manifesta indignação com rede de exploração sexual de menores e apela ao reforço das denúncias
05/06/26 - 02:21 pm

Mindelo, 05 Jun (Inforpress) – A presidente do ICCA manifestou hoje “preocupação e indignação” perante o caso da rede de exploração sexual de menores desmantelada pela Polícia Judiciária no Sal, defendendo maior vigilância comunitária e reforço das denúncias para prevenir situações semelhantes.

Em declarações à Inforpress, a presidente do Instituto Cabo-Verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Zaida Freitas, classificou o caso como “uma situação gravíssima”, assegurando que o instituto acompanha o processo desde o início e presta apoio à única vítima menor identificada até ao momento.

“Até então, em termos de vítimas menores, foi identificada apenas uma, que está a ser acompanhada pelas nossas estruturas locais, com todo o apoio necessário, porque sabemos que este tipo de crime deixa marcas profundas”, afirmou.

A responsável aproveitou igualmente para enaltecer o trabalho desenvolvido pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público na investigação do caso, manifestando a expectativa de que a justiça seja feita.

“Estamos ainda na fase de instrução do processo, mas, havendo provas de que efectivamente estas pessoas praticaram estes crimes, esperamos que sejam punidas e que cumpram as penas determinadas pelos tribunais”, declarou.

Zaida Freitas disse que o caso levanta várias inquietações, sobretudo pelo facto de a alegada actividade criminosa ter decorrido durante um longo período sem que tivesse sido denunciada.

“Questionamos como é que ninguém se deu conta, como é que os vizinhos e a comunidade não viram os movimentos e porquê demorou tanto tempo para se fazer a denúncia”, afirmou, acrescentando que “uma intervenção mais célere poderia ter evitado “grandes sofrimentos” às vítimas.

Neste sentido, a presidente do ICCA voltou a apelar à população para denunciar qualquer suspeita de abuso ou exploração de crianças e adolescentes, lembrando que as denúncias podem ser efectuadas de forma anónima através da linha 800 10 20 ou do número 132.

Segundo a mesma fonte, uma das principais mensagens transmitidas pelo ICCA nas suas acções de sensibilização é que a população não precisa ter a certeza da existência do crime para comunicar uma suspeita às autoridades.

“O ICCA, os familiares e a comunidade não fazem investigação. Quem tem de confirmar os factos é a Polícia Judiciária e o Ministério Público”, frisou.

A responsável destacou ainda trabalho desenvolvido pelo instituto através da campanha “Proteja”, implementada há cerca de dois anos , que tem incidido na prevenção da violência e do abusos sexual  contra crianças, na capacitação das famílias e na sensibilização das comunidades para reconhecerem sinais de alerta.

No âmbito desta campanha, explicou que o ICCA tem promovido formações dirigidas a diversos parceiros do sistema de protecção da criança, incluindo operadores turísticos, taxistas, guias turísticos, unidades hoteleiras e restaurantes, considerados actores importantes na identificação e denúncia de situações de risco.

Zaida Freitas considerou ainda que o silêncio continua a ser um dos principais obstáculos à protecção das vítimas.

“Se não denunciarmos, as autoridades não conseguem agir em conformidade. O silêncio protege o agressor e deixa a vítima desprotegida”, advertiu.

A presidente do ICCA defendeu igualmente um maior diálogo entre pais e filhos, considerando que a criação de relações de confiança é essencial para que as crianças se sintam seguras para relatar situações de abuso.

“Muitas vezes, a criança sabe que algo de muito mau aconteceu, mas se não houver abertura e acolhimento da parte dos familiares, torna-se muito mais difícil falar sobre isso”, sintetizou.

A Polícia Judiciária informou na última sexta-feira que desmantelou uma alegada rede criminosa de exploração sexual de menores na ilha do Sal, no âmbito da Operação Aurora, realizada em Santa Maria, Murdeira e Espargos.

A operação culminou na detenção de 16 homens, de nacionalidades cabo-verdiana, espanhola e britânica, com idades compreendidas entre os 17 e os 79 anos.

Sobre eles recaem suspeitas da prática dos crimes de prostituição de menores, lenocício, abuso sexual de crianças e agressão sexual de menores. Dez deles ficaram em prisão preventiva.

CD/AA

Inforpress/Fim

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