
Cidade da Praia, 14 Set (Inforpress) – A comunidade guineense residente na Praia pediu hoje, às autoridades policiais e à própria embaixada, proteção contra uma onda de assaltos e tiroteios perpetrados por um grupo de jovens contra a comunidade na zona de Safende.
Concentrados em frente à Embaixada da Guiné-Bissau, um grupo de pessoas manifestou-se revoltado e indignado com os sucessivos assaltos de que a comunidade tem sido alvo.
Os manifestantes relataram que além de verem os seus pertences roubados correm risco de vida devido aos disparos.
Em declarações à imprensa, a jovem guineense Nair Kimbumba contou que neste final de semana houve mais uma situação do género, na zona de Safende, tendo um jovem sofrido assalto e disparos contra a sua pessoa.
“Não é primeira vez que isto acontece. A nossa comunidade tem sofrido ataques frequentes e a justiça não tem funcionado”, afirmou.
Mencionou que a concentração em frente a embaixada é na esperança de receberem algum apoio de quem os representa no país e fazer chegar as ocorrências às autoridades nacionais.
Além dos ataques físicos, relatou Nair Quimbunba que sofrem discriminação, insultos preconceituosos e são privados de estarem na rua, com ameaças de sofrerem as consequências.
“Somos pessoas e devemos receber tratamento igual, não somos animais”, disse lamentando estes casos.
Segundo Mamadu Baldé, não estão a viver com tranquilidade com sucessivos ataques e, em comparação, disse que a comunidade cabo-verdiana na Guiné-Bissau é bem tratada, algo que deveria acontecer também no país.
“Somos todos povos que lutaram para ter a liberdade, é triste presenciar esses ataques contra a nossa comunidade”, disse.
A nossa equipa entrou em contacto com a Embaixada da Guiné Bissau, mas sem sucesso.
Entretanto, o embaixador da Guiné-Bissau em Cabo Verde, Ibraima Sanó, diz entender a revolta dos guineenses, mas considerou que também o comportamento dos mesmos não foi o mais correto, ao relatar que um grupo esteve na sua residência no fim de semana a manifestar-se e acabaram por arrebentar o portão do edifício tendo sido necessário chamar a polícia para fazer a segurança do edifício.
Quanto aos actos de violência contra a comunidade, a mesma fonte frisou que recebeu os representantes da comunidade guineense esta manhã e ouviu as suas preocupações.
“Acredito que são casos isolados, situações que infelizmente acontecem em todo o lado”, apontou, e que devem estar sob alçada da polícia.
Ainda sobre os casos de assaltos e disparos relatados por esta comunidade emigrada, entramos em contacto com a Polícia Nacional para mais esclarecimentos mas sem sucesso no momento.
OS/HF
Inforpress/Fim
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