
São Filipe, 26 Mai (Inforpress) - A cidade de São Filipe e a ilha do Fogo preparam-se para prestar homenagem ao malogrado trovador Daniel Fernandes Varela, conhecido artisticamente por Putchota, uma das figuras mais emblemáticas da música popular foguense.
A iniciativa, promovida pelo Grupo Passadinha, acontece no próximo dia 05 de Junho, na cidade de São Filipe, e pretende celebrar a vida, a obra e o legado cultural do intérprete e compositor sanfilipense, cuja música continua viva na memória colectiva de várias gerações.
Segundo Júlio Correia, a homenagem surge após a conclusão das obras de requalificação da campa de Putchota, no cemitério de Achada Forca, intervenção realizada para dignificar a memória do artista.
O programa inicia-se durante a tarde com uma palestra evocativa ao ar livre sobre a vida e obra do trovador, num espaço simbólico da cidade ligado às suas actuações e convivências e o objectivo, segundo os promotores, é “desinstitucionalizar ao máximo a homenagem”, aproximando-a do ambiente popular e humano que sempre caracterizou Putchota.
Um dos momentos altos será a cerimónia pública de atribuição do nome “Daniel Fernandes Varela – Putchota” ao troço de estrada entre a Polícia Nacional e o cruzamento para o antigo ciclo preparatório, local onde o artista viveu.
A decisão já foi confirmada pela edilidade de São Filipe, que estuda ainda a possibilidade futura de instalação de um busto do trovador na pracinha próxima da Polícia Nacional, espaço actualmente em processo de requalificação.
Após a cerimónia oficial, músicos, familiares, amigos e população em geral participarão numa romaria musical até ao cemitério de Achada Forca, acompanhada por guitarras e interpretações exclusivas de músicas de Putchota.
A romaria contará com a participação de músicos de São Filipe que tocaram com o artista e da escola Bokarrom.
No cemitério será realizado o descerramento da campa e a entrega simbólica da sepultura aos familiares do trovador.
A homenagem deverá reunir ainda vários artistas vindos da Praia, entre eles Júlio Correia, Braz Andrade, Amadeu Fontes, do Grupo Passadinha, Yacine Rosa, Félix Lopes e possivelmente Zé Rui e Albertino Évora.
A cantora Neusa de Pina manifestou interesse em participar dado que a música de Putchota esteve na origem do lançamento da sua carreira, embora a agenda apertada relacionada com os CVMA programado para o dia 06 de Junho em São icente possa dificultar a sua presença.
Também o compositor e intérprete foguense Daniel Lobo não estará presente na homenagem ao seu conterrâneo já que na data estará ausente do país, segundo Júlio Correia.
O encerramento acontecerá à noite, numa das ruas da cidade de São Filipe, onde serão colocadas dezenas de cadeiras para “um grande convívio musical”, com dez a 15 guitarras, dedicado exclusivamente à interpretação das músicas de Putchota.
Os promotores consideram que mais do que uma homenagem, o evento representa “um dever de memória e gratidão” para com um dos maiores símbolos culturais da ilha do Fogo dos últimos anos.
Putchota era conhecido pela autenticidade das suas composições que abordavam temáticas sociais e do quotidiano, muitas vezes com uma abordagem crítica e bem-humorada, falecido a 07 de Dezembro de 2018.
Canções como "Cuidado na bu bida", interpretada por Neuza de Pina, ou "Merca I", gravada por Assol Garcia, retratam vivências reais da sociedade foguense.
Em 2018, o artista lançou nos Estados Unidos da América o álbum “Djarfogo in ca negabu”, com dez faixas de sua autoria, produzido por José Laço. O seu primeiro trabalho discográfico foi lançado em 1998 com o grupo Raiz di Djarfogo.
JR/AA
Inforpress/Fim
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