
São Filipe, 04 Jul (Inforpress) - A V edição da Festa do Queijo de Monte Grande, promovida pela Associação Ka Djidja, será marcada pela valorização dos produtores locais e por iniciativas voltadas ao reforço do sector agropecuário na Região Serrana da ilha.
Segundo Pedro Matos, representante da associação, esta edição assume um carácter especial, não apenas pela continuidade do evento, mas sobretudo pela simbologia de cinco anos dedicados à promoção do queijo artesanal e ao reconhecimento do trabalho de homens e mulheres do campo que sustentam esta actividade tradicional.
Entre as novidades previstas estava a chegada de malas térmicas para melhorar o transporte e conservação do queijo, mas devido a constrangimentos logísticos na saída do material dos Estados Unidos, a entrega não ocorrerá durante a festa do queijo.
Ainda assim, o processo de entrega das 20 malas térmicas com capacidade para cerca de 80 queijos cada aos produtores e associações locais será feito posteriormente assim que chegarem à ilha, porque o objectivo é melhorar as condições de transporte do queijo para os principais mercados, como São Filipe e Praia.
Actualmente, o transporte é feito em condições consideradas pouco adequadas, o que afecta a qualidade do produto e limita o rendimento das famílias produtoras.
“Não são condições dignas e isso compromete a qualidade do queijo. Estas malas vão ajudar a valorizar o produto e melhorar o rendimento das famílias”, sublinhou Pedro Matos.
O programa da festa inclui ainda “uma forte componente social e de saúde”, com a realização de uma feira de saúde, em parceria com a câmara municipal e a Delegacia de Saúde, no dia 18, de modo a permitir à população o acesso a rastreios, esclarecimentos e orientação sobre diversos problemas de saúde, incluindo saúde mental.
Outro ponto alto será o fórum de desenvolvimento agropecuário da Região Serrana, que reunirá especialistas, antigos responsáveis e actores locais para debate do potencial agrícola da zona, caracterizada por um microclima propício a uma agricultura mais sustentável.
A Festa do Queijo inclui ainda exposições, degustações de produtos locais e visitas a cooperativas e produtores na faixa que se estende de Monte Grande até Achada Furna.
Pedro Matos destacou que apesar da continuidade das actividades tradicionais a festa procura inovar a cada edição, com destaque para o workshop de transformação de sisal e o reforço do apoio material aos pequenos produtores e famílias dependentes da produção de queijo.
O responsável sublinhou ainda a importância de debater o sector agropecuário em períodos de seca, defendendo que é precisamente nestes momentos de maior dificuldade que devem ser encontradas soluções para os constrangimentos de água e pasto que afectam os agricultores.
“É na seca que temos de discutir estes temas. Quando há abundância, não valorizamos. Mas é neste momento difícil que se torna essencial apoiar quem vive do campo”, afirmou.
A Festa do Queijo de Monte Grande afirma-se assim como um espaço de celebração, reflexão e valorização da identidade rural, reforçando o papel do queijo como produto estratégico para a economia familiar da Região Serrana da ilha.
JR/AA
Inforpress/Fim
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