
São Filipe, 08 Jan (Inforpress) – O Fortim Carlota, edifício mais antigo da cidade de São Filipe, vai acolher o Museu da Emigração, um projecto que resulta da parceria entre a câmara de São Filipe e o Governo, através do Ministério da Cultura.
A criação do Museu da Emigração foi anunciada na quarta-feira, 07, pelo presidente da edilidade de São Filipe, Nuías Silva, durante a apresentação pública do projecto de construção de um monumento na rotunda de Lém em homenagem aos emigrantes.
“Ainda não há uma data definida para a implementação do Museu da Emigração em São Filipe, mas o projecto já está em curso e resulta de uma parceria entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de São Filipe”, disse o presidente da câmara.
Segundo Nuías Silva, a iniciativa partiu da própria câmara, que lançou o desafio ao ministro da Cultura aquando da sua primeira visita ao município e a proposta foi bem acolhida.
Após as articulações necessárias a nível governamental, foi confirmada a decisão de avançar com a criação de um “verdadeiro museu da diáspora” no Fortim Carlota.
O Fortim Carlota é um dos edifícios mais antigos da ilha do Fogo e, possivelmente, também de Cabo Verde, mantendo-se ainda sem destruição total ou parcial.
A sua localização foi considerada estratégica, por situar-se numa zona próxima de onde partiram muitos emigrantes cabo-verdianos, entre Fonte Bila e a Praia de Nossa Senhora da Encarnação.
O espaço funciona ainda como um miradouro privilegiado, com fácil acesso dentro da cidade e localizado num dos primeiros espaços onde os navios se aproximavam entre a Fonte Bila e a praia Nossa Senhora da Encarnação.
O Museu da Emigração, segundo Nuías Silva, enquadra-se no plano de homenagem aos emigrantes e pretende contar a história da imigração cabo-verdiana, em termos sociodemográficos, culturais e do impacto económico que a emigração representa para Cabo Verde e para a ilha do Fogo, em particular.
Com o apoio do Governo, o museu ganhará vida, à semelhança do processo de reabilitação do Museu Municipal de São Filipe, desenvolvido em parceria com o Instituto do Património Cultural (IPC) e o Ministério da Cultura.
A reabertura total ao público é esperada por ocasião das festas do Dia do Município de São Filipe.
A escolha do Fortim Carlota resultou de um entendimento entre a edilidade e o Ministério da Cultura, após um processo que impediu a venda do imóvel, reconhecido como monumento protegido pela Constituição.
O futuro museu deverá ainda estabelecer ligações com o Museu da Baleia, nos Estados Unidos, e outros museus, contribuindo para transformar São Filipe num importante pólo de valorização e afirmação cultural.
O Fortim Carlota foi construído, sobre a falésia perto da entrada de Fonte da Vila (Fonte Bila), que era o principal porto da cidade, por ordem do Capitão Christovam de Gouveia Miranda em 1667, em homenagem à rainha Carlota Joaquina, esposa de D. João VI, rei de Portugal.
JR/AA
Inforpress/Fim
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