Fogo: Conferência “CV 50: olhares cruzados – educação, saúde e diáspora” focalizada no futuro de Cabo Verde

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Fogo: Conferência “CV 50: olhares cruzados – educação, saúde e diáspora” focalizada no futuro de Cabo Verde
07/03/25 - 02:43 pm

São Filipe, 07 Mar (Inforpress) – O reitor da Universidade de Santiago (US) destacou hoje a importância da educação e do ensino superior como ferramenta de transformação social e desenvolvimento sustentável de Cabo Verde, ao  se referir à conferência promovida na ilha do Fogo. 

Gabriel Fernandes, que falava na abertura da conferência "CV 50: Olhares Cruzados – educação, saúde e diáspora" que reúne especialistas e académicos, disse ainda que a sua realização tem como objectivo reflectir sobre os desafios e avanços do país nas áreas de educação, saúde e diáspora, num momento crucial de celebração dos 50 anos da independência do arquipélago.

Gabriel Fernandes iniciou sua intervenção destacando a ligação emocional e estratégica da Universidade de Santiago com a ilha do Fogo, onde, segundo o mesmo, a instituição tem-se consolidado.

"O Fogo é uma ilha com a qual nos identificamos, onde nos sentimos em casa. O ensino superior está a ganhar centralidade e visibilidade, impactando positivamente a vida das pessoas", afirmou o reitor que enfatizou o papel da educação como recurso emancipatório e a necessidade de investimentos continuos no sector.

"O ensino superior faz-nos acreditar num futuro melhor. A educação é um dos principais pilares para o desenvolvimento de Cabo Verde. Não podemos deixar de apostar nela", declarou Gabriel Fernandes que destacou a iniciativa de Rotas do Arquipélago, que reflecte a política de extensão da universidade e sua missão de aproximar a academia da sociedade civil.

"Entendemos que devemos estar próximos das pessoas, trabalhando para que sintam a nossa presença e tenham ferramentas para melhorar suas condições de vida", explicou.

O reitor abordou ainda os desafios históricos e actuais de Cabo Verde, reconhecendo os avanços alcançados desde a independência, mas alertou para a necessidade de revisão de opções estratégicas.

"Os ganhos da independência são inconfundíveis, mas precisamos criar condições para um futuro mais equilibrado e sustentável. Ainda há fragilidades a serem superadas", afirmou o reitor da US.

A questão da diáspora foi outro ponto central da intervenção de Gabriel Fernandes que destacou a importância da comunidade cabo-verdiana no exterior para o desenvolvimento do país, mas alertou para os riscos da fuga de cérebros.

"A diáspora é crucial, mas um país não se desenvolve sem sua liderança e massa crítica. Precisamos valorizar os nossos recursos humanos e garantir que o conhecimento se transforme em um bem socialmente útil", disse.

A conferência, que integra o programa Cabo Verde em debate, marca o início da “Arena CV21”, um espaço de reflexão sobre os desafios do século XXI.

"Sem educação, nunca seremos desenvolvidos. A saúde e a diáspora também são pilares fundamentais para a nossa afirmação como nação", sublinhou o reitor da US.

A valorização da língua nacional, a formação especializada, a ciência e a integração da diáspora no processo de desenvolvimento do país são outros aspectos analisados na cerimónia da abertura da conferência, que visa reforçar o compromisso da Universidade de Santiago em contribuir para a construção de um futuro mais próspero e auto-sustentável para Cabo Verde.

Após a sessão da abertura que começou com algum atraso foram apresentados os painéis, sendo o primeiro sobre “Educação em Cabo Verde: impactos, desafios e perspectivas” que teve como conferencista Víctor Borges e moderador Luís Rodrigues.

O segundo painel sobre “Saúde e bem-estar: onde estamos, para onde vamos?” teve como conferencista, Artur Correia e moderador, Marcília Fernandes, e o terceiro painel  dedicado ao tema “Diáspora: que lugar e que papel no Cabo Verde do futuro?” teve como conferencistas, Nardi Sousa, Pedro Matos e Andredina Cardoso e moderador, António Gonçalves.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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