
São Filipe, 24 Jun (Inforpress) - O presidente da Câmara de São Filipe, Nuías Silva, defendeu hoje a criação de um Centro Regional de Proteção Civil e Bombeiros para a Região Fogo/Brava para fortalecer a capacidade de resposta a emergências e desafios humanitários.
A proposta foi apresentada durante um encontro sobre “Protecção Civil e resposta humanitária em pequenos territórios insulares – a experiência do município de São Filipe”, realizado no âmbito da Escola Internacional de Verão, promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e pela Universidade de Santiago (US) e que reúne estudantes e especialistas de várias nacionalidades.
Na sua intervenção, Nuías Silva destacou que São Filipe enfrenta desafios específicos decorrentes da presença de um vulcão activo, das extensas áreas florestais, das zonas montanhosas de difícil acesso e da crescente vulnerabilidade às alterações climáticas, factores que tornam a gestão do risco uma necessidade permanente e não apenas uma resposta ocasional às emergências.
O edil sublinhou que a visão para o futuro passa pela criação de um Centro Regional de Comando de Protecção Civil e Bombeiros “devidamente capacitado”.
Passa também, continuou, pela elaboração de um plano municipal e regional de emergência, pela aquisição de equipamentos adequados aos riscos vulcânicos e florestais e pela implementação de sistemas modernos e eficazes de alerta e comunicação.
Outro eixo prioritário apontado pelo edil é o reforço da resiliência das comunidades através da capacitação dos cidadãos, considerando que as populações são os primeiros agentes de resposta em situações de crise.
Ao partilhar a experiência do município, Nuías Silva destacou várias lições aprendidas ao longo dos anos.
Entre elas, salientou que a prevenção deve constituir uma prioridade permanente, que a preparação salva vidas, que as comunidades desempenham um papel fundamental na resposta inicial e que a cooperação entre instituições é indispensável para enfrentar os desafios humanitários.
“O que a nossa experiência demonstra é que a resiliência se construi antes da crise”, afirmou, acrescentando que mesmo municípios com recursos limitados podem reforçar significativamente a sua capacidade de resposta através da preparação, da formação e da cooperação.
O presidente da câmara de São Filipe reconheceu, contudo, que persistem desafios importantes, nomeadamente a escassez de recursos financeiros, insuficiência de equipamentos especializados, necessidade de formação contínua dos agentes de protecção civil, elevados custos associados à insularidade e limitações logísticas em situações de emergência.
Neste contexto, defendeu o reforço das parcerias nacionais e internacionais para garantir formação especializada em gestão de emergências, busca e salvamento, capacitação técnica das corporações e aquisição de equipamentos adequados.
Para Nuías Silva, nenhum município vulnerável consegue enfrentar sozinho os desafios humanitários do futuro, por isso considerou que a construção da resiliência deve ser encarada como um compromisso colectivo que envolve governos central e local, parceiros nacionais e internacionais, instituições académicas e as próprias comunidades.
JR/AA
Inforpress/Fim
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