
Assomada 10 Fev (Inforpress) - Os produtores de Santiago Norte consideram que a falta de trabalhadores tem ameaçado o sector primário, com impactos na agricultura, criação de gado e pesca, compromete a produção e reduz os rendimentos das famílias.
Os produtores contactados pela Inforpress afirmaram que a saída de mão-de-obra para o estrangeiro e a relutância dos jovens em trabalhar nas zonas rurais têm ameaçado o sector primário.
Segundo eles, muitos agricultores não fizeram a sementeira nos últimos anos e vários criadores de gado abandonaram a actividade.
“Na nossa localidade, quase todos criavam animais antigamente, mas hoje apenas duas pessoas mantêm o gado. Muitos desistiram devido à falta de trabalhadores, e os que ficaram não querem trabalhar nestas áreas”, explicou Pedro Silva, agricultor e criador de gado em Cabeça Carreira, Santa Catarina.
Segundo Pedro, a falta de mão-de-obra tem impacto directo na produção e nos preços praticados, sublinhando que o trabalho de agricultura e o cuidado com os animais precisam de alguém presente.
"Um animal que valia 200 contos, se não tiver alguém ali para cuidar, pode acabar valendo 50”, disse, acrescentando que a situação provoca frustração e desmotivação entre quem permanece activo.
Na pesca, a "situação também é preocupante".
O pescador Jelson Mendes revelou que a falta de trabalhadores deixou várias embarcações paradas, o que, segundo ele, afecta capturas e rendimentos familiares.
Além da agricultura, criação de gado e pesca, apontaram que a escassez de trabalhadores afecta também o transporte, com muitos taxis e hiaces parados devido à falta de condutores.
Os trabalhadores advertem que, sem políticas que incentivem a permanência de mão-de-obra, a produção agrícola, pecuária e pesqueira poderá continuar a diminuir, e a ameaçar o abastecimento e a sustentabilidade do sector em Santiago Norte.
DV/ZS
Inforpress/Fim
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