
Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – O presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), João Neves, defendeu hoje o reforço da aposta na ciência, tecnologia e no ambiente digital como elementos essenciais para consolidar a projeccão internacional da língua portuguesa.
Em entrevista à Inforpress, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, João Neves reforçou que a expansão do idioma está diretamente ligada à sua circulação em diferentes espaços geográficos e ao papel dos países lusófonos em organizações regionais e internacionais de natureza económica e diplomática.
Os países de língua portuguesa, afirmou, desempenham “um papel relevante” nas dinâmicas económicas globais, integrando cadeias de circulação de bens, mercadorias e pessoas, além de contribuírem para a produção de valor, fatores que “reforçam a perceção do português como língua global”.
“No chamado mercado das línguas”, prosseguiu, as línguas com maior alcance internacional oferecem vantagens acrescidas aos seus falantes, nomeadamente no acesso a mercados, informação e conhecimento.
João Neves definiu o português como “uma língua de muitos para muitos”, sublinhando que o seu reconhecimento internacional fortalece não apenas os seus falantes, mas também o posicionamento estratégico dos países que a adotam como língua oficial.
Segundo a mesma fonte, a ciência, a tecnologia e o digital “são áreas determinantes para o futuro do português”, sublinhando que estas dimensões integram o plano estratégico do instituto.
Nesse âmbito, referiu que nos últimos três anos o IILP tem apoiado jovens investigadores na divulgação de trabalhos em universidades estrangeiras e desenvolvido ferramentas digitais nas áreas da lexicografia e terminologias técnico-científicas, incluindo a entrega de uma base terminológica à Assembleia Nacional de Cabo Verde.
O instituto realizou igualmente um estudo sobre a presença da língua portuguesa na internet, que deu origem a ações de formação sobre gestão da internet multilingue.
Segundo o mesmo, a iniciativa evidenciou a necessidade de aumentar a produção de conteúdos digitais “geradores de valor” em português.
“Na internet, a avaliação faz-se sobretudo com base em conteúdos que geram valor, o que não inclui necessariamente redes sociais ou conteúdos de natureza mais informal”, afirmou.
O presidente do IILP afirmou também o papel do plurilinguismo, “realidade marcante em Cabo Verde”, onde o português coexiste com o crioulo cabo-verdiano. Segundo o presidente, esta convivência linguística “traz vantagens cognitivas e profissionais”, além de reforçar as próprias línguas através de processos de interação.
No contexto internacional, sublinhou que Cabo Verde tem “um papel relevante” na projeção da língua portuguesa, tanto pela sua participação em organizações multilaterais como pela dinâmica sociolinguística do país.
“A presença de Cabo Verde em diferentes organizações leva consigo a língua portuguesa, que passa a figurar como língua de trabalho, de documentação e de comunicação em múltiplos contextos”, enfatizou.
Apesar dos avanços, João Neves reconheceu a existência de desafios no domínio tecnológico, lamentando a ausência, no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), de um projeto conjunto para o desenvolvimento de um modelo de processamento de linguagem que integre as diferentes variedades do português.
“Produzir conhecimento, ocupar produtivamente o espaço digital e investir no desenvolvimento de tecnologias da língua são dimensões centrais para a afirmação do português no mundo da ciência e no mundo digital”, concluiu.
O Dia Mundial da Língua Portuguesa celebra-se a 05 de Maio, data instituída pela Unesco para assinalar a importância histórica, cultural e geopolítica do idioma falado por mais de 260 milhões de pessoas em vários continentes.
KA/AA
Inforpress/Fim
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