
Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Dai Varela defendeu que a leitura constitui "o primeiro acto anti-sistema" para as crianças, alertando que as fragilidades no acesso ao livro continuam a comprometer a formação de leitores em Cabo Verde.
Em entrevista à Inforpress, o escritor, editor e jornalista afirmou que a leitura representa uma forma de resistência num contexto marcado por limitações no acesso ao livro, à mediação da leitura e às bibliotecas.
"A leitura de livros é o primeiro acto mais anti-sistema que as crianças terão", afirmou.
Segundo Dai Varela, o principal obstáculo não é apenas a escassez de livros, mas também a falta de condições para criar hábitos de leitura desde a infância.
"O sistema está montado para que a criança não tenha tanto acesso ao livro. Quando tem acesso, muitas vezes não encontra mediadores de leitura, não dispõe de uma biblioteca municipal ou encontra espaços pouco atractivos, desactualizados e mal cuidados", sustentou.
Na sua perspectiva, estas limitações estendem-se ao sector editorial, que continua a enfrentar dificuldades na escrita, publicação, circulação e valorização do livro infanto-juvenil.
Para o autor, esta realidade contribui para reduzir o contacto das crianças com a leitura e condiciona o desenvolvimento do pensamento crítico e da imaginação.
Ainda assim, defendeu que o livro permanece um instrumento essencial na formação das novas gerações.
"Ler permite desenvolver a capacidade de pensar, imaginar e compreender o mundo para além da informação imediata", afirmou.
Dai Varela defendeu um maior envolvimento das famílias, das escolas, das bibliotecas e das instituições públicas na promoção da leitura, considerando que investir nas crianças representa uma aposta estratégica para o futuro do país.
Segundo o escritor, formar leitores é também formar cidadãos mais preparados para participar na vida cultural, social e democrática de Cabo Verde.
JMV/HF
Inforpress/Fim
Partilhar