Engenheiro informático diz que temos de ter ousadia de reformatar a nossa sociedade

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Engenheiro informático diz que temos de ter ousadia de reformatar a nossa sociedade
05/02/26 - 11:08 pm

Cidade da Praia, 05 Fev (Inforpress) – O engenheiro informático Hélio Varela defendeu hoje que os líderes políticos devem edificar a infra-estrutura pública digital, reformar a sociedade e as leis para que a Constituição da República reconheça o digital como instrumento privilegiado.

A posição foi apresentada por Hélio Varela, durante a sua intervenção sobre o tema “Nova geração de serviços públicos e infra-estruturas de serviços digitais – a experiência de Cabo Verde”, no âmbito da Sessão n.º 2 do Mind7 Cabo Verde – Pensar Digital, Nação Digital.

Avançou que muitos países africanos e do mundo investiram fortemente na informatização, criaram produtos para as suas sociedades, mas não fizeram transformações no quadro legal para mudar a estrutura da forma como as sociedades funcionam.

Essa mudança, segundo disse, não tem gerado nem criado um grande impacto nas sociedades.

Entretanto, explicou, a tendência mundial passa por transformar o ecossistema de funcionamento da sociedade para ir para o digital, de modo a eliminar a necessidade de documentos como certidões ou declarações.

“A instituição que quiser consultar alguma informação pode consultar, sem pedir um documento ao cidadão. Este simples facto transforma completamente a forma como as sociedades funcionam”, apontou.

Neste sentido, será necessário a construção de uma infra-estrutura pública digital, ou seja, um conjunto de soluções tecnológicas que alteram profundamente o funcionamento da sociedade, implicando mudanças nas leis, nas instituições e na forma de se relacionar na sociedade.

O objectivo, disse, é permitir que múltiplas interacções possam ser realizadas a partir de um único ponto, como o telemóvel, e até a partir de casa.

Reforçou que não é possível introduzir algo tão potente como a internet e continuar a manter as estruturas legais e institucionais existentes.

“Se queremos transformar a nossa sociedade, temos de ter a ousadia de reformatar a nossa sociedade, já o fizemos na altura da independência, já o fizemos na altura da democracia e agora temos de o fazer na altura da internet, é preciso a ousadia dos líderes políticos e camada intermédia”, precisou.

Defendeu ainda a necessidade de rever a Constituição, para que reconheça o digital como instrumento privilegiado e não como um simples complemento, preservando os valores fundamentais.

Avançou que a sociedade cabo-verdiana ainda não está preparada, porque não há oferta e não há indução, cabendo a governança a responsabilidade de liderar esse processo.

Durante o evento, foi igualmente apresentado o painel “Gestão da Mudança e Governança – a experiência do Uruguai", pelo orador José Clastornik, exemplo esse, que no seu entender, deve inspirar o país.

“(…) nós devemos inspirar-nos, tal como outros países como a Estónia, como a China, como os Estados Unidos são países que já deram saltos no digital. Nós devemos olhar, aprender, estudar e depois olhar para Cabo Verde e adaptar essas inspirações à nossa realidade”, apontou.

Promovida pelo Governo através da vice-presidência do Conselho de Ministros e do Ministério da Economia Digital (VPM/MED), o evento contou com a participação de membros do Governo e chefias de Estado, directores-gerais e dirigentes da Administração Pública, CEO, CTO e líderes do ecossistema empresarial e digital, gestores intermédios e quadros estratégicos, bem como parceiros internacionais e especialistas convidados.

AV/HF

Inforpress/Fim

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