
Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – O embaixador cubano em Cabo Verde denunciou hoje, na Praia, as graves dificuldades económicas e sociais que o seu país enfrenta, atribuindo-as ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América (EUA).
Em conferência de imprensa, Turcios Miguel López afirmou que Cuba perdeu cerca de 8.030 milhões de dólares no último ano devido ao bloqueio, indicando constrangimentos no acesso a combustíveis e as consequências para o funcionamento dos serviços públicos e para a vida quotidiana da população.
“Eu quero que as pessoas imaginem um país sem combustível. O sistema eléctrico nacional também fornece hospitais, fornece escolas, fornece fábricas. Como um país vai produzir se não tem electricidade?”, questionou, referindo que os apagões chegaram a atingir 20 horas por dia em determinadas situações.
Segundo acrescentou, as dificuldades energéticas afectam igualmente o funcionamento dos hospitais, a conservação de alimentos, os transportes e a prestação de cuidados a crianças e outros grupos vulneráveis.
Indicou, contudo, que o país tem investido em painéis solares para reforçar o fornecimento de energia, sobretudo em hospitais, escolas e lares de idosos.
Na área da saúde, o diplomata acusou ainda os Estados Unidos de pressionarem outros países para impedir a compra de medicamentos e vacinas cubanos, sob ameaça de sanções.
O representante cubano em Cabo Verde considerou que o bloqueio constitui uma violação do direito internacional e da soberania nacional, para quem, as dificuldades económicas do país não podem ser dissociadas das restrições impostas por Washington.
Neste contexto, manifestou confiança na aprovação, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, de uma nova resolução a pedir o fim das medidas norte-americanas.
Turcios Miguel López avançou que o projecto será apresentado pela 34.ª vez na ONU, com o debate previsto para esta terça-feira e a votação para quarta-feira, lembrando que a resolução tem sido submetida desde 1992 e tem recebido apoio da maioria dos países, incluindo Cabo Verde e os Estados africanos.
“Achamos que, esta vez, além das pressões dos Estados Unidos, novamente o projecto será aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas”, declarou, considerando que uma nova aprovação representaria o repúdio internacional das sanções contra Cuba.
Questionado sobre as ameaças de intervenção militar norte-americana, o embaixador afirmou que Havana as leva muito a sério e está preparada para defender a sua soberania e independência.
Por outro lado, rejeitou que as manifestações sociais registadas no país representem uma vontade generalizada de mudança de regime, tendo sustentado que as reivindicações por electricidade, água e alimentos reflectem, sobretudo, as dificuldades enfrentadas pela população.
ET/HF
Inforpress/Fim
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