
Cidade da Praia, 16 Jun (Inforpress) – As Nações Unidas em Cabo Verde, em parceria com a Acrides, acolheu hoje uma celebração do Dia da Criança Africana, focada no lema do direito à água e ao saneamento seguro.
O evento reuniu representantes infantis de quase todos os países da África, incluindo Guiné-Bissau, Senegal, Congo, Gâmbia, Moçambique, Marrocos, Guiné, São Tomé e Príncipe, Camarões e Serra Leoa, residentes no país, promovendo a união e o activismo juvenil pelo futuro do continente.
Durante a cerimónia, as crianças assumiram o protagonismo e enviaram mensagens firmes aos governantes africanos, exigindo acções concretas e não apenas discursos para o bem-estar da criança africana.
As principais propostas apresentadas pelas crianças incluíram infra-estruturas dignas, instalação de água potável, saneamento básico e casas de banho seguras em todas as escolas africanas, protegendo especialmente as raparigas.
No que respeita à educação comunitária, as crianças exigiram a criação de programas liderados por elas próprias para ensinar a conservação da água e práticas de higiene, campanhas de sensibilização contra o descarte de lixo nas ruas, rios e praias, além da protecção das fontes de água.
A presidente da Associação de Crianças Desfavorecidas (Acrides), Lourença Tavares, ao usar da palavra, celebrou a forte representação continental e destacou a consolidação da rede de crianças embaixadoras, que já arrancou formalmente na Guiné-Bissau.
“Vocês estão aqui a representar todas as crianças do continente africano. Hoje são crianças, mas amanhã estarão nos nossos lugares para substituir os adultos e fazer muito mais e melhor”, afirmou Lourença Tavares.
O representante da UNICEF em Cabo Verde, David Matern, partilhou uma história inspiradora sobre a Ilha do Maio, onde uma parceria entre a câmara municipal, a companhia local de água e a organização que representa garantiu que cada criança passasse a ter acesso à água em casa.
Na sua comunicação, David Matern recordou o testemunho de uma criança de seis anos que lhe disse, sorridente: “É tão fácil agora beber”.
O responsável da UNICEF utilizou o feito histórico da ilha do Maio e o exemplo recente de superação da selecção de futebol de Cabo Verde frente a Espanha para motivar os jovens a usarem a sua voz junto dos líderes políticos.
“Se isto é possível na ilha do Maio, significa que é possível em todo o arquipélago e em todos os países aqui representados. Vocês têm o direito de falar sobre o que é importante para o vosso futuro”, declarou David Matern, encerrando a sua intervenção com a expressão crioula “No sta djunto”.
O encontro prosseguiu com ligações e partilhas internacionais online das delegações do Senegal, Guiné-Bissau, Angola, Congo e São Tomé e Príncipe, reforçando o espírito de que a infância e o futuro de África dependem da cooperação e da acção imediata no presente.
O Dia da Criança Africana celebra-se a 16 de Junho e foi instituído em 1991 pela antiga Organização da Unidade Africana (OUA), em homenagem aos estudantes que participaram na Revolta de Soweto, na África do Sul, em 1976.
PC/HF
Inforpress/Fim
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