
Praia, 27 Jul (Inforpress) – O Presidente da República defendeu hoje a regulamentação do voluntariado em Cabo Verde, propondo incentivos para valorizar o empenho cívico, durante a cerimónia de posse dos membros dos órgãos superiores da Cruz Vermelha cabo-verdiana.
Na ocasião, José Maria Neves considerou que a tomada de posse dos novos dirigentes demonstra o crescimento institucional da Cruz Vermelha de Cabo Verde, instituição que classificou como “muito prestigiada” pelo impacto da sua intervenção ao longo dos últimos 50 anos.
Questionado sobre a necessidade de medidas de apoio ao voluntariado, José Maria Neves defendeu a criação de um “quadro legal” que incentive a participação cívica, propondo que o Estado reconheça o trabalho voluntário através de benefícios concretos.
Entre as medidas sugeridas, apontou vantagens no acesso à administração pública, progressão na carreira e atribuição de bolsas de estudo a jovens que se distingam pelo seu envolvimento em actividades da Cruz Vermelha ou de outras organizações de voluntariado.
O objectivo, explicou, é estimular uma maior participação dos cidadãos em causas ligadas à democracia, às liberdades, à solidariedade e à dignidade da pessoa humana.
O Presidente da República enalteceu o papel desempenhado pela organização em diferentes áreas, desde a saúde e educação até à resposta a catástrofes naturais, lembrando a actuação da Cruz Vermelha durante a erupção vulcânica na ilha do Fogo, cheias, tempestades e outras situações de emergência.
Segundo ele, a instituição tem contado com uma “forte adesão de jovens e voluntários”, cujo empenho cívico tem contribuído para reforçar a solidariedade, promover o desenvolvimento das comunidades e fortalecer a justiça social no país.
“É preciso valorizar esse percurso e prestigiar aqueles que estão à frente desta grande instituição”, afirmou.
Confrontado com a preocupação de que a forte emigração de jovens possa comprometer a renovação do voluntariado em Cabo Verde, afirmou que o importante é promover a circulação de pessoas e de conhecimento.
Na sua perspectiva, a mobilidade internacional não deve ser encarada como um obstáculo, mas antes como uma oportunidade para o desenvolvimento do país, desde que os cabo-verdianos mantenham a ligação às suas comunidades de origem.
“Nós temos de valorizar e incentivar a circulação de pessoas. Um jovem pode ser voluntário em Santo Antão, em Boston, em Paris ou em Lisboa, desde que esteja ao serviço dos cabo-verdianos e das diferentes comunidades”, sustentou.
O Governo esteve representado na pessoa do secretário de Estado da Saúde, Artur da Veiga, que reiterou a disponibilidade do executivo liderado por Francisco Carvalho para trabalhar em parceria com a Cruz Vermelha de Cabo Verde.
LC/HF
Inforpress/Fim
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