
Cidade da Praia, 29 Mai (Inforpress) — São Tomé e Príncipe e a Região da Guadalupe destacaram hoje a importância da crioulidade e alertaram para desafios na preservação das línguas crioulas e património cultural, defendendo o reforço das políticas de valorização e transmissão intergeracional.
A posição foi expressa pela ministra da Educação, Cultura, Ciência e Ensino Superior de São Tomé e Príncipe, Isabel Viegas de Abreu, e pelo vice-presidente da Região da Guadalupe e presidente da Comissão de Cultura, Jean-Claude Nelson,
Ambos intervieram no painel “Crioulidade e suas especificidades: ‘Kriolidadi pa mi’”.
Integrado no segundo dia do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica, o evento decorre na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), na Cidade da Praia, até sábado, 30.
Na sua intervenção, Isabel Viegas de Abreu destacou a importância das línguas crioulas em São Tomé e Príncipe, forró, angolar, lung’ie e crioulo cabo-verdiano, como elementos centrais da identidade nacional, resistência histórica e afirmação cultural.
Apesar dos avanços registados, como a criação do alfabeto unificado, a introdução gradual das línguas no ensino e a produção de materiais pedagógicos e dicionários, a ministra reconheceu vários desafios, incluindo a predominância do português, a fraca documentação científica, a escassez de recursos e a diminuição do uso das línguas crioulas entre os jovens.
Defendeu, por isso, o reforço de políticas culturais, financiamento para projetos culturais, formação de professores, incentivo à investigação e maior envolvimento da juventude na preservação da cultura.
Isabel Viegas de Abreu ressaltou ainda o reconhecimento internacional do Tchiloli como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2025, e a classificação de São Tomé e Príncipe como Reserva Mundial da Biosfera, considerando estes marcos importantes para a valorização da identidade nacional.
Sublinhou que a crioulidade deve ser entendida como uma realidade viva e em transformação, essencial para o fortalecimento da identidade e da memória coletiva.
O vice-presidente da Região Guadalupe presidente da Comissão de Cultura, Jean-Claude Nelson, por sua vez, apontou a crioulidade como uma força viva de identidade, resistência e transformação social no espaço atlântico.
“Quando uma língua desaparece, desaparece também uma forma inteira de pensar o mundo”, alertou.
O dirigente defendeu a valorização das línguas crioulas, a preservação do património cultural e o reforço da transmissão intergeracional como prioridades para as sociedades crioulas.
Nelson apelou ainda à cooperação entre territórios crioulos e à promoção da diversidade como elemento central de desenvolvimento e coesão social.
Por seu lado, a representante das Nações Unidas, Patrícia Souza, destacou a crioulidade como uma força de transformação social, cultural e política, sublinhando o seu papel na promoção da inclusão, da diversidade e da justiça social.
A responsável considerou que em contextos globais marcados por tensões e exclusão a crioulidade surge como uma resposta afirmativa que valoriza a diferença como fonte de inovação e coesão social.
Defendeu ainda o reforço de políticas de inclusão, combate à discriminação e promoção da igualdade de oportunidades, destacando Cabo Verde como “laboratório de convivência, resiliência e inovação”.
TC/AA
Inforpress/Fim
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