
Cidade da Praia, 21 Jul (Inforpress) - A secretária de Estado das Finanças afirmou hoje que a cooperação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) se mantém sólida, destacando que a actual missão da instituição visa alinhar os programas existentes às prioridades do novo Governo.
Em declarações à imprensa à margem do encontro de trabalho com a equipa do FMI, Maria Lopes explicou que o executivo pretende introduzir ajustamentos nos programas em curso, sem, contudo, comprometer a parceria de quase cinco décadas entre Cabo Verde e a organização financeira internacional.
"O FMI é um parceiro estratégico e de longa data de Cabo Verde e estou encorajada com a certeza de que continuará a ajudar o país a materializar a visão desta nova governação", afirmou Maria Lopes, sublinhando a aposta na modernização da administração tributária para compensar a redução da ajuda pública ao desenvolvimento.
A governante indicou que o novo executivo pretende conciliar uma forte componente social com a promoção do crescimento económico, priorizando investimentos em conectividade, economia azul, agricultura, resiliência climática e infra-estruturas.
Por seu turno, o chefe da missão do FMI, Martin Schindler, reafirmou a disponibilidade da instituição para continuar a apoiar Cabo Verde, destacando a relação de cooperação construída ao longo de várias décadas.
"O FMI continua preparado para apoiar as políticas económicas de Cabo Verde. Queremos compreender as prioridades do novo Governo e ver como podemos continuar a apoiá-las", declarou.
Martin Schindler explicou que a missão tem como objectivo conhecer as orientações do novo executivo e avaliar de que forma os programas em curso podem acompanhar essas prioridades, mantendo como foco a estabilidade macroeconómica e um crescimento económico inclusivo e sustentável.
O responsável salientou ainda que o acompanhamento do sector empresarial do Estado continuará a ser uma componente importante da cooperação entre as duas partes.
"É importante haver transparência sobre a situação financeira das empresas estatais, porque elas representam responsabilidades e potenciais riscos fiscais para o Governo", afirmou.
Questionado sobre o programa em vigor, Schindler esclareceu que permanecem por concluir duas avaliações previstas no actual acordo entre Cabo Verde e o FMI, cuja aprovação permitirá novos desembolsos de financiamento ao país.
A missão do FMI prolonga-se até 24 de Julho e inclui reuniões de trabalho com os Ministérios das Finanças e da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, do Banco de Cabo Verde, parceiros, membros da comunidade diplomática, instituições financeiras e representantes do sector privado.
Durante a visita, as partes irão discutir as prioridades do novo executivo em matéria de política económica, bem como a evolução recente da economia nacional, as perspectivas macroeconómicas, monetárias e externas, o desempenho do sector financeiro e as reformas estruturais em curso.
A agenda contempla ainda a avaliação do estado de implementação dos programas apoiados pelo FMI, nomeadamente a Facilidade de Crédito Alargado (ECF) e a Facilidade para a Resiliência e Sustentabilidade (RSF), e a cooperação entre Cabo Verde e a instituição financeira internacional.
As reuniões servirão igualmente para analisar os próximos passos no âmbito do Acordo de Nível Técnico (Staff-Level Agreement – SLA), firmado entre o Governo cabo-verdiano e o FMI.
CM/CP
Inforpress/Fim
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