CNE quer aproximar-se das comunidades cabo-verdianas na diáspora para aumentar participação eleitoral (c/áudio)

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CNE quer aproximar-se das comunidades cabo-verdianas na diáspora para aumentar participação eleitoral (c/áudio)
25/08/26 - 01:04 pm

Lisboa, 25 Ago (Inforpress) – A Comissão Nacional de Eleições (CNE) pretende reforçar a aproximação às comunidades cabo-verdianas no estrangeiro, como forma de aumentar a participação eleitoral, cuja taxa tem sido “bastante diminuta” nos três círculos eleitorais da diáspora.

A intenção foi hoje manifestada aos jornalistas cabo-verdianos, em Lisboa, pela presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Maria do Rosário Gonçalves, à margem de uma sessão de formação dirigida aos agentes de recenseamento eleitoral, no âmbito da deslocação da administração eleitoral a Portugal para preparação das eleições presidenciais de 15 de Novembro.

Segundo a responsável, a CNE decidiu, no âmbito da preparação das presidenciais reforçar a sua presença junto dos eleitores cabo-verdianos no estrangeiro, através de um plano de deslocações aos países com maior comunidade cabo-verdiana residente e também eleitores.

O plano contempla os três círculos eleitorais da diáspora, designadamente África, Europa e Resto do Mundo, com missões previstas ao Senegal, Portugal e França e, no final, aos Estados Unidos.

Segundo a mesma fonte, a missão de três dias, iniciada na segunda-feira, 24, não tem apenas como objectivo a formação e o reforço de capacidades, mas também a auscultação das comunidades sobre o processo eleitoral das legislativas de 17 de Maio, visando identificar os principais constrangimentos verificados e os pontos de intervenção para reforçar a participação eleitoral na diáspora.

“A participação eleitoral na diáspora tem sido bastante diminuta relativamente à dimensão da comunidade cabo-verdiana no estrangeiro. A administração eleitoral decidiu deslocar-se ao encontro dos cabo-verdianos com vista à aproximação e a uma maior participação política e eleitoral no estrangeiro”, afirmou Maria do Rosário Gonçalves.

Com base na experiência da missão realizada ao Senegal e, agora, em Portugal, a presidente da CNE considerou que uma das formas de aumentar a participação política e eleitoral dos cidadãos cabo-verdianos residentes no estrangeiro passa por uma maior aproximação da instituição que dirige às organizações da sociedade civil.

“Temos instituições capazes, que estão preparadas para fazer aquilo que lhe compete no âmbito do processo eleitoral no estrangeiro. Temos serviços consulares bastante consolidados, com boa capacidade técnica e de execução, e delegados também com muita desenvoltura, mas, na realidade, os eleitores estão nas comunidades”, explicou.

Para reduzir o distanciamento entre a CNE e os eleitores cabo-verdianos na diáspora, a estratégia passa, segundo Maria do Rosário Gonçalves, por uma maior aproximação às associações cabo-verdianas, aproveitando não só as suas estruturas nas comunidades, mas também a sua capacidade de mobilização e sensibilização dos cidadãos, com a intenção de aproximá-los dos processos de recenseamento e eleitoral.

Nesse sentido, avançou que a CNE dispõe de um plano de formação e credenciação das associações e organizações da sociedade civil cabo-verdiana em Portugal, iniciativa que poderá ser replicada nos Estados Unidos, e que já foi implementado “com bastante sucesso” no Senegal.

Informou que a CNE pretende aproximar as estruturas de recenseamento eleitoral e das assembleias de voto das comunidades, através da descentralização dos locais de votação, que actualmente funcionam nas embaixadas cabo-verdianas no estrangeiro.

Entre as propostas, destacou o reforço da articulação com as organizações não-governamentais (ONG), cujas estruturas poderão ser utilizadas para apoiar o processo, mediante formação e capacitação, sem comprometer a neutralidade do processo eleitoral e a equidistância partidária e dos candidatos.

“A formação também debruçar-se-á sobretudo neste aspecto de reforço de capacidade de uma actuação isenta, transparente e neutral, por forma a que possamos utilizar todas as capacidades e estruturas das associações sem comprometer a independência e a neutralidade das eleições no estrangeiro”, concluiu.

FM/HF

Inforpress/Fim

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