
Tarrafal, 24 Jun (Inforpress) – O Presidente da República defendeu hoje a classificação do antigo Campo de Concentração do Tarrafal como Património Mundial da Unesco e sublinhou o compromisso com a liberdade, paz dignidade humana e a valorização da memória histórica.
José Maria Neves falava na abertura do Simpósio Internacional “Museu da resistência do campo de concentração do Tarrafal: salvaguardar a memória, inspirar a humanidade”, que decorre no auditório do antigo campo, no quadro do processo de candidatura do sítio a Património Mundial da Unesco.
José Maria Neves considerou que o encontro se reveste de uma “importância técnica e política crucial” para fortalecer o dossiê de candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal, classificando-o como “um lugar de memória, um espaço de dor, de sofrimento, mas também de libertação e de superação”.
“Temos de fazer de tudo para que, a partir da transformação deste campo em património da humanidade, possamos iluminar os caminhos do futuro, superando os momentos mais difíceis e dolorosos da história em direcção a tempos de liberdade e dignidade da pessoa humana”, afirmou.
Segundo o Presidente da República, a eventual inscrição do sítio na lista do Património Mundial deverá transcender o reconhecimento histórico, constituindo uma oportunidade para promover valores universais e contribuir para a construção de “um mundo muito mais humano, onde reinem a liberdade, a paz e a dignidade da pessoa humana”.
José Maria Neves destacou ainda a participação de especialistas, antigos trabalhadores do campo, combatentes da liberdade da pátria e moradores da comunidade envolvente, considerando tratar-se de “um momento de comunhão”, não apenas em torno da memória do sofrimento vivido naquele espaço, mas sobretudo sobre o que deve continuar a ser feito para consolidar sociedades mais justas e democráticas.
Na sua intervenção de abertura do simpósio, o chefe de Estado recordou que o antigo Campo de Concentração do Tarrafal, outrora conhecido como Campo da Morte Lenta, constitui hoje “um santuário da dignidade humana” e um espaço privilegiado para uma reflexão que ultrapassa fronteiras geográficas e temporais.
“Realizar este simpósio sob o lema salvaguardar a memória para inspirar a humanidade constitui um imperativo ético do nosso tempo”, sublinhou.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, José dos Reis, considerou que o encontro representa um momento de valorização da história, preservação da memória e construção do futuro, manifestando satisfação pelos avanços alcançados no processo de candidatura do antigo Campo de Concentração do Tarrafal a Património Mundial da Unesco.
Promovido pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural, em parceria com a Câmara Municipal do Tarrafal, o simpósio reúne representantes de Angola, Guiné-Bissau e Portugal, além de académicos, investigadores e antigos presos políticos, para debater temas ligados à memória, aos direitos humanos, à musealização e à sustentabilidade dos sítios patrimoniais.
MC/AA
Inforpress/Fim
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