
Cidade da Praia, 02 Jun (Inforpress) - O projecto de criação do Centro Interpretativo de Cidade Velha está orçado em mais de 150 mil contos e prevê entrar em funcionamento em 2028, anunciou hoje a presidente do Instituto do Património Cultural, (IPC), Samira Baessa.
A informação foi avançada à Inforpress, à margem da abertura do workshop "Centros de interpretação do Património Cultural e Museus de Sítio: Modelos para Cidade Velha e outros sítios em Cabo Verde" decorre na cidade da Praia, de hoje a sexta-feira, 05.
"O projecto já foi submetido ao financiador, e este workshop é para afinar a componente de interpretação do sítio, mas estamos a perspectivar que no horizonte de 2028 nós podemos ter este centro ao serviço de Cabo Verde e da Cidade Velha", disse.
Orçado em mais de 150 mil contos, explicou que o projecto propõe ampliar essa perspectiva de interpretação da Cidade Velha enquanto património mundial.
Tendo em conta as especificidades que Cidade Velha tem enquanto património mundial, o valor universal excepcional, o valor histórico, cultural, patrimonial e simbólico, a ideia é promover o desenho do modelo de centro interpretativo, permitindo a acessibilidade a qualquer pessoa que visite Cidade Velha.
Explicou que neste momento o espaço existente na Cidade Velha é bastante “exíguo” e não dá respostas ao crescimento que o sítio histórico tem tido ao longo desses anos após a sua classificação, e não dá respostas às novas dinâmicas que estão a ser projectadas a nível do sítio, o que vai traduzir-se, numa afluência cada vez maior de visitantes.
Apesar dos investimentos feitos em requalificação, acessibilidade, urbana e ambiental, que permitem conectar os bairros com os monumentos, com a vida das pessoas e com o turismo, afirmou que existe ainda um deficit a nível de interpretação.
"Temos um pequeno centro em que as pessoas vão e não têm essa possibilidade de ter uma perspectiva mais ampla sobre Cidade Velha, a sua importância, qual é a interpretação que podemos fazer deste sítio na história universal, a sua história no Atlântico e a história da crioulidade”, referiu.
Neste sentido, assegurou que o projecto propõe a criação do espaço que permite terem acesso a informações sobre a importância e a história da Cidade Velha, o contributo para a história da humanidade, para a transferência de conhecimentos, terem um olhar do sítio enquanto um espaço de confluência de povos, de culturas, de civilizações, que vão moldar a história universal.
Avançou que o workshop é destinado aos profissionais do património do IPC, da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago e de outras instituições que estão, de alguma forma, implicados na gestão e na interpretação do património cultural.
A ideia é que os técnicos nacionais e os especialistas que vieram de Espanha projetem este espaço numa perspetiva realística do sítio e que possa dar respostas a nível da interpretação, a nível da educação patrimonial, das actividades arqueológicas, científicas de modo a continuar a fazer parte da dinâmica do sítio.
Samira Baessa garantiu que este modelo poderá servir para outros sítios a nível do país, mais com as devidas adaptações nomeadamente, o Campo de concentração de Tarrafal.
AV/AA
Inforpress/Fim
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