
Cidade da Praia, 28 Mai (Inforpress) - A artista brasileira Cida Lima defendeu hoje uma abordagem da arte ligada à educação e inclusão social, vincando a reciclagem de materiais e a formação de jovens como eixo central do seu projecto artístico e comunitário.
A artista falava à Inforpress no âmbito da sua exposição “Cartografia das Travessias”, referindo que a mesma conta com uma trajectória marcada pela vinculação entre países e projectos educativos.
Lima afirmou que o seu trabalho resulta de pesquisas contínuas iniciadas no Brasil e desenvolvidas em diferentes contextos africanos, incluindo países como Moçambique e Cabo Verde, onde actualmente realiza a sua oitava experiência internacional.
“Eu desenvolvo sempre um trabalho com artistas locais, através de parcerias com universidades e instituições”, explicou, acrescentando que a ausência de cursos superiores de artes visuais em Cabo Verde dificultou a sua inserção inicial, obrigando-a a procurar alternativas de colaboração com artistas da diáspora e projectos independentes.
Cida Lima sublinhou que a sua actual produção nasce de um processo de investigação sobre cor, símbolos e escrita africana, associado à observação do quotidiano urbano e à reutilização de resíduos do próprio ateliê.
A artista explicou ainda que o trabalho incorpora referências à ancestralidade africana, à escrita simbólica e a elementos culturais da Bahia, no Brasil, onde tem origem, estabelecendo um diálogo entre identidades e territórios distintos.
Para além da dimensão expositiva, o projecto inclui uma vertente social, com a intenção de financiar e desenvolver workshops itinerantes dirigidos a jovens de comunidades periféricas.
A mesma fonte defendeu que o acesso à informação e à formação prática pode ser determinante para a autonomia dos jovens criadores.
“Muitas vezes não é falta de talento, é falta de informação”, afirmou, acrescentando que pretende levar ferramentas básicas de produção artística a espaços comunitários, permitindo a criação de obras com valor comercial e sustentável.
Cida Lima lamentou ainda que o mercado artístico em Cabo Verde enfrenta desafios estruturais, nomeadamente a escassez de materiais e a ausência de uma cadeia comercial consistente, o que limita a valorização da produção local.
Apesar disso, destacou o potencial criativo dos jovens cabo-verdianos e a necessidade de reforçar a formação técnica e o intercâmbio cultural como forma de estimular a inovação artística.
O projecto “Cartografia das Travessias” integra-se, segundo a artista, numa lógica de continuidade, combinando exposição, investigação e intervenção social, com foco na transformação da arte em instrumento de educação e desenvolvimento comunitário.
A inauguração está marcada para sexta-feira, 29 , pelas 17:30 no espaço Chez Maria Júlia, em Palmarejo Baixo.
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Inforpress/Fim
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