Carol Castiel celebra nacionalidade cabo-verdiana e reforça compromisso com herança judaica no arquipélago

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Carol Castiel celebra nacionalidade cabo-verdiana e reforça compromisso com herança judaica no arquipélago
13/04/26 - 04:24 pm

Cidade da Praia, 13 Abr (Inforpress) - A cidadã norte-americana Carol Samuels Castiel manifestou hoje satisfação e profunda gratidão pelo reconhecimento da nacionalidade cabo-verdiana, após quase 40 anos de trabalho dedicado à preservação da herança judaica no país.

Em entrevista à Inforpress, durante a peregrinação ao Talhão Judaico no Cemitério da Várzea, Carol Castiel enquadrou o significado do reconhecimento e o percurso que a ligou ao país.

“Eu estou muito, muito lisonjeada, me sinto muito grata, porque, de facto, trabalho aqui nessa terra bonita há quase 40 anos, e agora, para ter esse reconhecimento e poder fazer parte da comunidade cabo-verdiana, eu estou muito satisfeita”, disse.

O percurso teve início em meados da década de 1980, quando, no âmbito de um programa académico nos Estados Unidos, teve contacto com estudantes cabo-verdianos com apelidos de origem judaica, o que despertou o interesse pela história dos judeus marroquinos no arquipélago.

Ao longo dos anos, o trabalho evoluiu para a criação de uma estrutura organizada, com envolvimento de descendentes, apoio institucional e reconhecimento do património como parte integrante da cultura nacional, incluindo intervenções na recuperação de cemitérios e produção de investigação histórica.

“Queremos implementar e concretizar isso. Ainda não acabámos. Vamos acrescentar sinalização, especialmente na Boa Vista, e atrair turismo cultural, porque este património faz parte integrante da nação cabo-verdiana”, realçou.

Aquela responsável referiu que o projecto inclui ainda a publicação de obras sobre os judeus marroquinos em Cabo Verde, com tradução prevista para inglês e interesse manifestado para versão em árabe, com vista à ampliação da projecção internacional do país.

No que se refere aos desafios, apontou a necessidade de manutenção contínua dos espaços de memória, com envolvimento das autarquias e da sociedade civil, de forma a garantir a preservação dos cemitérios e a sua valorização, enquanto património histórico.

A peregrinação integra uma missão cultural que reúne participantes marroquinos e cabo-verdianos, considerada a primeira do género, com o objectivo de promover o intercâmbio cultural e o conhecimento da herança judaica no arquipélago.

“Eu queria que eles testemunhassem com os seus próprios olhos esse diálogo e intercâmbio entre cabo-verdianos e descendentes de judeus marroquinos”, ressaltou Castiel.

A iniciativa inclui ainda contactos institucionais e actividades culturais em várias ilhas, com enfoque na valorização do património e no reforço das ligações históricas entre Cabo Verde e Marrocos.

KF/SR//ZS

Inforpress/Fim

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