Câmara Municipal da Praia cancela Corrida dos Heróis para atender a população sobre crítica a gastos públicos

Inicio | Política
Câmara Municipal da Praia cancela Corrida dos Heróis para atender a população sobre crítica a gastos públicos
13/01/26 - 07:59 pm

Cidade da Praia, 13 Jan (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Praia anunciou hoje o cancelamento da Corrida dos Heróis e explicou a decisão com a necessidade de estar em sintonia com o povo e responder às críticas sobre gastos públicos.

“Está cancelada, sim. A câmara da Praia tem de estar atenta, tem de estar em sintonia com o povo. O povo é quem mais ordena”, afirmou o presidente da autarquia, sublinhando que existe “uma percepção muito crítica” em relação a despesas públicas desnecessárias.

Francisco Carvalho reagia à imprensa ao ser confrontado com as críticas do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no âmbito da sessão solene do 13 de Janeiro, sobre o cancelamento da Corrida da Liberdade pela autarquia, realizada tradicionalmente a 13 de Janeiro, preferindo promover a Corrida dos Heróis no dia 20 de Janeiro.

Na ocasião, o também presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) citou o caso da construção do monumento da Liberdade e Democracia pelo Governo, orçado em 150 milhões de escudos, lembrando que muitos cidadãos são contra este edifício.

“E o povo tem uma noção de gastos. O povo faz essas contas. O povo diz que 150 milhões de escudos gastos no monumento poderiam ser aplicados na aquisição de remédios, de óculos. Eu acho que o facto de o Governo do MpD decidir fazer o que fez, decidiu em democracia”, frisou.

O edil explicou que, enquanto representantes do povo, os autarcas têm a obrigação de ajustar decisões conforme os sinais recebidos da sociedade.

“Nós podemos assumir uma posição às 10:00 e depois surgirem novos factos. Nós somos representantes das pessoas e por isso temos de ter o cuidado para não defraudarmos. Porque as pessoas confiam em nós e há permanentemente essa necessidade de avaliação, de reposicionamento com seriedade”, declarou o político.

Francisco Carvalho considerou que a democracia em Cabo Verde como em qualquer parte do mundo, não é perfeita e, por isso, deve ser permanentemente melhorada.

“Se a democracia não é perfeita, Cabo Verde não pode ser um oásis no mundo. A democracia cabo-verdiana necessariamente também tem de ser imperfeita. E, se nós concordamos que a democracia universal e cabo-verdiana são imperfeitas, então há a necessidade de introdução de melhorias”, precisou.

Segundo afirmou, propor reformas com vista ao seu aperfeiçoamento não constitui um ataque ao regime, mas antes um exercício de responsabilidade democrática.

ET/AA

Inforpress/Fim

Partilhar