
Cidade da Praia, 10 Jul (Inforpress) – O Presidente da República declarou hoje que Cabo Verde deve muito à Igreja Católica pelo seu contributo na formação da identidade nacional, realçando o papel da instituição na educação, cultura, solidariedade e construção da coesão social.
José Maria Neves fez estas declarações ao presidir à abertura da Conferência Magna subordinada ao tema “Construir a Nação, Servir a Missão: Memória e contributo do clero diocesano no Cabo Verde pós-Independência”, integrada nas celebrações do Jubileu de Ouro da ordenação presbiteral do cardeal Dom Arlindo Gomes Furtado.
O Chefe de Estado considerou que a iniciativa constitui uma oportunidade para reflectir sobre uma dimensão relevante da história colectiva de Cabo Verde, sublinhando que recordar aqueles que serviram o país com dedicação “é cumprir um dos mais sagrados deveres: a gratidão de uma Nação inteira”.
“Cabo Verde deve muito à sua Igreja. Forjamos esta Nação nos mares, nas pedras e na fé. Há séculos”, afirmou José Maria Neves, defendendo que o contributo da Igreja Católica ultrapassa o âmbito estritamente religioso para se afirmar como património moral, social e cultural da República.
O Presidente destacou que, desde a criação da Diocese de Santiago de Cabo Verde, em 1533, a Igreja marcou presença na formação da sociedade cabo-verdiana, com intervenção em áreas como alfabetização, educação, formação intelectual, literatura, música e preservação da memória colectiva.
A título de exemplo realçou o papel do Seminário-Liceu de São Nicolau, criado pela Igreja Católica em 1866, como um dos principais centros de formação intelectual do arquipélago, de onde saíram professores, escritores e figuras ligadas ao movimento claridoso.
Segundo o Presidente, no período pós-independência, a Igreja Católica, através do clero diocesano, continuou a desempenhar uma função relevante na construção da Nação, contribuindo para a formação de consciências, promoção da cidadania, solidariedade e dignidade humana.
“O clero diocesano, ao longo das últimas décadas, marcou presença em múltiplos domínios da vida nacional: na educação, na saúde, na assistência social, na formação ética dos jovens, na promoção da paz, na defesa da família (…)” reconheceu.
Nas suas intervenções, o Presidente da República considerou ainda que o cardeal Dom Arlindo Furtado representa a síntese do legado da Igreja Católica em Cabo Verde, destacando a sua proximidade, capacidade de diálogo e dedicação às causas da paz, justiça social e solidariedade.
Defendeu que o Jubileu de Ouro do cardeal constitui não apenas uma celebração religiosa, mas também uma oportunidade para reconhecer o contributo da Igreja Católica na construção da Nação cabo-verdiana e valorizar a memória daqueles que ajudaram a consolidar a identidade nacional.
ET/HF
Inforpress/Fim
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