
Sal Rei, 12 Mar (Inforpress) – O presidente do SITTHUR, Amílcar Neves, considerou hoje, na Boa Vista, que a divisão interna do sindicato pode dificultar as negociações e resolução dos problemas dos trabalhadores da CV Handling, e acusou a Direcção-Geral do Trabalho de interferência.
As afirmações foram feitas em conferência de imprensa pelo presidente do Sindicato de Transportes Telecomunicações Hotelaria e Turismo (SITTHUR), Amílcar Neves, que se encontra de visita à Boa Vista para sentir o “pulsar” no seio da escala da CV Handling, assim como encontrar-se com os trabalhadores da CV Airports, e também informar sobre a situação da SITTHUR.
Amílcar Neves trouxe à tona uma vez mais a questão da "pseudo-eleição" realizada em Novembro de 2024, liderada pela secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde – Central Sindical (UNTC-CS), que, segundo ele, “violou os estatutos do sindicato e resultou na eleição ilegítima de novos órgãos sociais”.
O representante sindical alega que a assembleia que elegeu os novos corpos gerentes foi convocada por pessoas sem legitimidade, que os delegados presentes tinham mandatos expirados, o que “viola” os estatutos do sindicato, e inclusive utilizaram os distintivos de forma ilegal, o que “é crime público”. Disse ainda que o Ministério Público pode agir, através da audição dessa conferência.
"Todos os actos subsequentes são nulos, desde a própria conferência, da eleição e mesmo os actos que venham a ser praticados por essas pessoas que foram eleitas", afirmou.
Amílcar Neves informou que a situação já foi levada aos tribunais, e acusou a Direcção-Geral do Trabalho de tentar legitimar a eleição por via administrativa, mesmo após alertas sobre a ilegalidade do processo.
"Pedimos à senhora directora-geral do Trabalho que deixe os tribunais fazerem o seu trabalho, ou que deixe o SITTHUR internamente resolver essa questão", apelou o representante.
E instou para que atendam ao artigo 28 da Lei de Base do Emprego Público, que diz que os dirigentes devem agir com base no princípio da legalidade, e também tem que levar em consideração o princípio da transparência.
Amílcar Neves também denunciou a abertura de uma conta bancária pelo “outro grupo” da SITTHUR para receber cotas dos trabalhadores, e uma tentativa de greve “sem fundamento” que a Direcção-Geral do Trabalho “autorizou”, visto que as questões que eles apresentaram já tinham sido resolvidas pela administração em conjunto com a “direcção legitima” do SITTHUR.
O representante sindical disse que perante o processo de privatização da CV Handling, estão em causa o subsídio de risco, o subsídio noturno, a progressão na carreira e questões individuais, que a nova administração se mostrou aberta ao diálogo e está disposta a resolver os problemas dos trabalhadores, mas é necessário um clima propício para as negociações.
Amílcar Neves, que não pretende reeleger-se ao cargo, reafirmou que a direcção legítima do SITTHUR é a que estava em funções antes da eleição contestada, mas que ainda assim estão abertos ao diálogo com o outro grupo, em prol do bem-estar dos trabalhadores.
MGL/ZS
Inforpress/Fim.
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