
Sal Rei, 11 Fev (Inforpress) – Moradores da localidade de Povoação Velha, na Boa Vista, voltaram hoje a denunciar alegados problemas de saúde causados pelo fumo proveniente das queimadas na lixeira municipal de Sal Rei, exigindo das autoridades um “despiste sanitário” à população.
À imprensa descreveram “uma situação insuportável”, agravada pela direção dos ventos que transporta a fumaça diretamente para a localidade, afetando cerca de 70 famílias residentes.
Adilson Lopes, residente na zona, disse que o fumo é visível e invade as casas, contaminando alimentos e vestuário.
“Há dias em que a casa fica infestada. Temos crianças e adultos a sofrer com este cheiro insuportável e não há proteção”, lamentou o munícipe, apelando a uma tomada de decisão urgente por parte da Câmara Municipal da Boa Vista.
Por sua vez, o presidente da Associação Varandinha, Henrique Cruz, reforçou a denúncia associando a situação da poluição ambiental a graves problemas de saúde pública.
Segundo o ambientalista, “desde 2014 a localidade registou 17 mortes, a maioria por cancro de garganta e pulmão”, o que gera suspeitas na comunidade.
“Não temos a certeza científica, mas para isso é necessário que o Ministério da Saúde faça um despiste na população. O lixo que se queima é tóxico, vem dos hotéis e até dos hospitais”, afirmou Henrique Cruz, destacando que a localização da zona faz com que o fumo fique acumulado entre as rochas.
A mesma fonte considerou que a solução passa pela deslocalização da lixeira municipal para o centro da ilha, numa zona onde o vento predominante direcione as emissões para o mar.
“Já fizemos exposições ao ministério e falamos com delegados, mas nunca tivemos resposta”, criticou, reforçando que a comunidade se sente “desprezada pelo sistema”.
Os moradores de Povoação Velha, que recebe diariamente entre 500 e 800 turistas, e assim como qualquer pessoa que chega a localidade quando há essas situações, são recebidos pelo cheiro e fumo, afirmaram que a luta não é apenas pelo bem-estar local, mas por uma questão de dignidade e saúde pública global na ilha.
A Inforpress contactou a Câmara Municipal da Boa Vista que ficou de coordenar com o vereador responsável pelo pelouro para um pronunciamento.
MGL/AA
Inforpress/Fim
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