Banco Mundial aponta fraca conectividade entre ilhas como entrave ao crescimento do sector privado em Cabo Verde

Inicio | Economia
Banco Mundial aponta fraca conectividade entre ilhas como entrave ao crescimento do sector privado em Cabo Verde
14/07/26 - 06:02 pm

Cidade da Praia, 14 Jul (Inforpress) – O Grupo Banco Mundial identificou hoje a fraca conectividade entre as ilhas como um dos entraves ao crescimento do sector privado em Cabo Verde, defendendo reformas no sistema de transportes para reduzir custos e melhorar a mobilidade.

O especialista sénior de transportes do Grupo Banco Mundial, Filipe Neves, apresentou esta análise durante o lançamento do Cabo Verde Economic Update 2026, defendendo que “a fraca ligação entre ilhas trava o crescimento do sector privado”.

Segundo o especialista, o sistema de transportes cabo-verdiano assenta em dois modos complementares e interdependentes: o transporte aéreo, que garante rapidez e serve passageiros de maior valor e mercadorias urgentes, e o marítimo, considerado a base da logística, do transporte de carga e dos passageiros de menor rendimento.

Filipe Neves explicou que, quando um destes sistemas apresenta fragilidades, aumenta a pressão sobre o outro, elevando os custos e limitando a mobilidade laboral, a convergência de preços e o desenvolvimento de cadeias de valor locais.

O responsável destacou que, apesar de o turismo representar cerca de 25 por cento (%) do Produto Interno Bruto (PIB), a economia nacional ainda capta pouco desse valor, apontando que 95% do investimento turístico está concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista e que cerca de 80% dos alimentos consumidos nos hotéis são importados.

Acrescentou que existe uma discrepância entre as zonas produtoras e os principais destinos turísticos, indicando que 83% das terras agrícolas estão localizadas em Santiago, Santo Antão e Fogo, enquanto a procura turística está concentrada, sobretudo, noutras ilhas.

Para Filipe Neves, os principais constrangimentos da conectividade interna estão relacionados com a fiabilidade dos serviços, a acessibilidade dos preços e a cobertura desigual entre as ilhas.

No transporte aéreo, apontou que a rede doméstica ainda não recuperou os níveis de 2019, com cerca de 0,85 milhões de passageiros, abaixo dos 0,97 milhões registados naquele ano, referindo que o problema não é a falta de procura, mas a oferta disponível.

Relativamente aos preços, afirmou que uma viagem de ida entre Praia e Sal custa, em média, cerca de 85 euros, podendo uma deslocação de ida e volta representar entre 100% e 145% do salário mínimo mensal.

No sector marítimo, referiu que algumas ilhas, como Santo Antão e Brava, dependem exclusivamente deste modo de transporte, enquanto outras apresentam frequências reduzidas de ligações.

Como resposta, o relatório do Banco Mundial propõe reformas centradas na abertura da aviação à participação privada, contratos de serviço público baseados em desempenho, maior transparência regulatória e modernização das concessões marítimas.

Durante a apresentação, a economista sénior do Grupo Banco Mundial, Ana Carlota Massing, destacou igualmente o desempenho da economia cabo-verdiana em 2025, caracterizado por um crescimento robusto de cerca de 6,0%, pelo segundo ano consecutivo.

A responsável salientou como marcos do ano passado o recorde de chegadas de turistas, com cerca de 1,25 milhões de visitantes, e um saldo orçamental positivo de aproximadamente um por cento do PIB, embora tenha alertado para a persistência de vulnerabilidades estruturais nas finanças públicas, nomeadamente, o peso do serviço da dívida.

Ana Carlota Massing indicou que, para 2026, o Banco Mundial prevê uma desaceleração do crescimento económico para 4,8%, devido à normalização após o desempenho de 2025 e aos riscos associados ao contexto internacional, incluindo o conflito no Médio Oriente, possíveis choques climáticos e um eventual abrandamento dos mercados europeus.

TC/HF

Inforpress/Fim

Partilhar