Cidade da Praia, 25 Mai (Inforpress) – O Presidente da República destacou hoje a ilha da Brava como exemplo das fragilidades no acesso à água em Cabo Verde e defendeu “mobilização urgente” para garantir abastecimento seguro e sustentável às populações mais vulneráveis.
A posição de José Maria Neves foi expressa na sua mensagem alusiva ao Dia de África, celebrado hoje, 25 de Maio, sob o lema “Garantir a Disponibilidade Sustentável de Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Alcançar a Agenda 2063”.
Na sua comunicação, o Chefe de Estado considerou que o acesso à água e ao saneamento deve ser encarado como “um imperativo moral de justiça social” e uma condição essencial para assegurar paz, dignidade humana e desenvolvimento sustentável no continente africano.
“Não haverá paz duradoura onde subsistir a sede, nem haverá desenvolvimento genuíno onde a dignidade humana for comprometida pela ausência de saneamento seguro”, declarou.
O Presidente sublinhou que, em Cabo Verde, as vulnerabilidades insulares e as secas cíclicas continuam a agravar os desafios ligados ao abastecimento de água, apontando o caso da ilha Brava como “um apelo pungente à consciência colectiva e à acção governativa”.
Segundo explicou, a presença excessiva de flúor natural nas águas de nascente da Brava tem provocado elevados índices de fluorose dentária na população, sobretudo nas crianças, afectando a saúde pública, a autoestima e a equidade social.
Além da questão da qualidade da água, José Maria Neves alertou para a escassez e a instabilidade estrutural no abastecimento, marcadas por rupturas frequentes na rede pública.
Para o mais alto magistrado da nação, o “clamor legítimo” das populações da Brava e de outras localidades do país por soluções definitivas não deve ser visto como um favor, mas como “uma exigência de cidadania”.
Neste sentido, defendeu a mobilização urgente de financiamentos climáticos e de parcerias internacionais para garantir água potável, segura e regular às comunidades mais vulneráveis.
Na mensagem, José Maria Neves destacou igualmente o Encontro Internacional sobre a Crioulidade Atlântica, que decorre de 28 a 30 de Maio, na Cidade Velha, Património Mundial da Humanidade.
Segundo afirmou, o encontro pretende valorizar o contributo de África na “humanização do Atlântico”, sublinhando a crioulidade como expressão de resiliência, diálogo e tolerância entre povos e culturas.
O Presidente terminou apelando à união de esforços entre líderes políticos, comunidade científica, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento para construir “uma verdadeira economia social da água”, colocando tecnologias como a dessalinização ao serviço da redução das desigualdades e do desenvolvimento humano.
O dia 25 de Maio é considerado o Dia de África porque foi neste dia, em 1963, que se criou a Organização de Unidade Africana (OUA), na Etiópia, com o objectivo de defender e emancipar o continente africano.
CM/ZS
Inforpress/Fim.
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