
Santa Maria, 23 Mai (Inforpress) - O Hotel Odjo d’Água, na ilha do Sal, inaugurou oficialmente, na sexta-feira, a sua sala de conferências, baptizada de “Claridosos”, visando prestar tributo ao movimento literário que despertou a consciência nacional cabo-verdiana.
A iniciativa é uma homenagem directa ao movimento literário e à revista Claridade, fundada por Baltazar Lopes, Jorge Barbosa e Manuel Lopes, figuras centrais na emancipação cultural e social do arquipélago.
Apesar de o espaço já estar em funcionamento há alguns meses, a gerência do hotel fez questão de assinalar a abertura oficial com um evento que “reforça a identidade crioula” da unidade hoteleira.
Para o empresário Patone Lobo, proprietário do Odjo d’Água, a escolha do nome não foi ocasional, mas sim uma forma de reconhecer o papel dos Claridosos na construção da identidade nacional.
"Foi a partir disso [Claridade] que começámos a sentir-nos identitários. Ajudou-nos a criar a nossa identidade, e isso está tudo ligado à cultura", explicou o empresário durante o evento.
Patone Lobo sublinhou que o Odjo d’Água pretende ser mais do que um hotel.
"É um hotel crioulo. Temos de enaltecer a nossa cultura e chamar a atenção para coisas que têm interesse para nós", afirmou.
O empresário revelou ainda um detalhe histórico pessoal para a escolha da data e do local: a ligação de Jorge Barbosa à ilha do Sal, onde serviu como diretor da alfândega.
"Com certeza, se ele nos viesse visitar hoje, sentiria essa ligação", afirmou, aproveitando para agradecer ao intelectual Alberto Rosário pelo texto biográfico que acompanha a sala.
À entrada da sala, os visitantes são recebidos por um painel artístico concebido pelo artista plástico mindelense António Cruz, conhecido no meio artístico como “Ró”.
A obra é o resultado de uma “estreita colaboração” e pesquisa sobre a estética e a temática do movimento claridoso.
"O Patone idealizou e nós realizámos", explicou o artista.
Segundo Ró, a obra procura retratar a dureza e a esperança presentes na literatura da época.
"Pesquisamos a seca, o agricultor descontente, o sofrimento e os três Claridosos ali, a pensar tudo junto, a inventar o futuro", descreveu o artista, destacando que o painel envolve os elementos da vida, das plantas e do povo que compõem a alma das ilhas.
A cerimónia de inauguração contou com a declamação de poesia e interpretações musicais a cargo do professor Daniel Monteiro e do cantor Mirri Lobo, que foi acompanhado ao violão por Hélder Pelada.
NA/CP
Inforpress/Fim
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